Protestos no Irã ganham força após apelo de príncipe exilado
Protestos no Irã ganharam novo impulso na noite de quinta-feira (28) após o príncipe exilado Reza Pahlavi conclamar a população a ocupar as ruas; pouco depois, o governo bloqueou internet e linhas telefônicas em todo o país.
Protestos no Irã ganham força após apelo de príncipe exilado
Testemunhas relataram que, às 20h (horário local), moradores de Teerã gritaram “Morte ao ditador!” das sacadas e milhares se reuniram em avenidas centrais. Houve também menções ao antigo xá: “Esta é a batalha final! Pahlavi vai voltar!”.
Os atos começaram na quarta-feira e se espalharam por cidades e vilarejos, fechando mercados e bazares. Segundo a Human Rights Activists News Agency, com sede nos Estados Unidos, ao menos 39 pessoas morreram e mais de 2.260 foram detidas desde o início das mobilizações.
A empresa de infraestrutura Cloudflare e o grupo de monitoramento NetBlocks confirmaram o apagão digital, atribuindo-o a interferência estatal. Chamadas de Dubai para números fixos ou móveis iranianos ficaram impossíveis, medida que historicamente precede repressões mais duras.
Reza Pahlavi, filho do xá que abandonou o Irã pouco antes da Revolução Islâmica de 1979, testou pela primeira vez sua capacidade de influenciar a população. Em comunicado, ele advertiu as autoridades: “A comunidade internacional e o presidente Donald Trump estão observando. A repressão terá resposta”.
A liderança dos protestos segue difusa. Analistas como Nate Swanson, do Atlantic Council, avaliam que a falta de uma alternativa política clara prejudicou levantes anteriores, já que a segurança iraniana costuma prender ou exilar possíveis líderes.
Enquanto isso, veículos oficiais noticiaram ataques pontuais contra forças de segurança. Um coronel da polícia morreu esfaqueado nos arredores de Teerã; em Lordegan, atiradores mataram dois agentes e feriram outros 30. Na província de Khorasan Razavi, cinco pessoas morreram em ataque a um posto policial.

Imagem: J Gambrell The Associat
Apesar da gravidade, o governo ainda não lançou uma ofensiva total. Observadores atribuem cautela à ameaça de retaliação dos Estados Unidos, que advertiram Teerã contra o uso de violência letal. O Ministério das Relações Exteriores iraniano, porém, classificou as declarações de Washington como “hipocrisia”.
As manifestações também refletem a crise econômica. Com o rial afundado a 1,4 milhão por dólar após a guerra de 12 dias no ano passado, comerciantes aderiram a greves e descartaram arroz subsidiado em protesto contra preços controlados.
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Crédito da imagem: Globalnews.ca















