Proibição do Kneecap no Canadá segue sem explicação
Proibição do Kneecap no Canadá segue sem explicação há duas semanas, desde que o deputado liberal Vince Gasparro afirmou, em vídeo, que o trio de hip-hop irlandês estaria “inelegível” para entrar no país antes de shows em Toronto e Vancouver.
Impasse entre anúncio político e silêncio oficial
A declaração de Gasparro, secretário parlamentar para combate ao crime, citou suposto apoio do Kneecap a grupos terroristas como Hezbollah e Hamas. Ele também mencionou uma acusação criminal no Reino Unido contra Liam Óg Ó hAnnaidh, integrante da banda, por exibir uma bandeira do Hezbollah em Londres em 2024. O processo, porém, foi arquivado em 26 de setembro por perda de prazo.
Desde então, nem o Kneecap nem seu empresário, Daniel Lambert, receberam comunicação formal sobre eventual revogação das autorizações eletrônicas de viagem (eTAs). O Ministério da Imigração, Refugiados e Cidadania (IRCC) alega sigilo e apenas reforça que candidatos são notificados por e-mail sobre o status do pedido.
A falta de esclarecimentos levou conservadores e nova-democratas a cobrarem explicações. A deputada Tory Melissa Lantsman acusa Gasparro de “desconhecer o próprio governo ou mentir”, enquanto a deputada do NDP Jenny Kwan enviou carta à ministra Lena Diab pedindo confirmação de que exista, de fato, um banimento. Kwan fala em “uso politizado” da política migratória e cogita solicitar investigação nas comissões de Ética ou Imigração da Câmara.
Versões conflitantes e risco de ação judicial
Em nota a fãs, o Kneecap classificou as alegações de Gasparro como “totalmente falsas e maliciosas” e anunciou medidas legais. A banda afirma apoiar a causa palestina, mas rejeita qualquer vínculo com Hezbollah ou Hamas. O gestor Lambert ressaltou que todos os membros, cidadãos irlandeses, pertencem a países dispensados de visto — necessitando apenas da eTA aprovada previamente.
Analistas apontam que o caso expõe um potencial choque entre declarações políticas e procedimentos técnicos de imigração. Segundo a legislação canadense, a inelegibilidade para entrada deve ser formalizada pelo IRCC ou pela Agência de Serviços de Fronteira, não por anúncio em rede social. Especialistas ouvidos pela BBC avaliam que, se não houver documentação oficial, a banda pode ingressar no país ou buscar reparação por danos à imagem.
Próximos passos e pressões parlamentares
Gasparro evita novos comentários e remete perguntas ao IRCC. Já Diab ignorou questionamentos no corredor da bancada liberal. Internamente, e-mails obtidos pela imprensa mostram assessores orientando a incluir nos comunicados a informação de que solicitantes são avisados por e-mail — sinal de que nenhuma negativa foi enviada ao grupo.
Imagem: Sean Boynt Global Ne
Neste cenário, oposicionistas prometem insistir em audiências e pedidos formais de documentos. Caso não apareça prova de negativa, cresce a possibilidade de o governo ser acusado de censurar artistas por posicionamento político.
O desfecho permanece incerto: sem resposta oficial, o Kneecap mantém planos de reagendar as apresentações canadenses e aguarda definição. Enquanto isso, o episódio já provoca debate sobre transparência e uso de redes sociais para anunciar políticas sensíveis.
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Crédito da imagem: Global News















