Por Thiago Menezes | Jornal Minas Informa | Atualizado em 24 de abril de 2025
Congonhas (MG) — O temor em torno da segurança da barragem Casa de Pedra, localizada na área urbana de Congonhas e operada pela CSN Mineração, tem causado efeitos significativos na saúde mental da população local. Apesar de a empresa afirmar que a estrutura está estável e monitorada, moradores relatam sintomas de ansiedade, insônia e uso crescente de medicamentos controlados.
A barragem, uma das maiores em área urbana do país, já foi classificada em anos anteriores como de “alto potencial de dano”. Atualmente, a estrutura está em nível de alerta 1, o mais brando entre os critérios de risco, mas a proximidade com áreas residenciais mantém aceso o sinal de preocupação entre os congonhenses.
Relatos de moradores e impacto psicológico
Moradores do bairro Cristo Rei, um dos mais próximos à barragem, afirmam viver em estado de tensão constante. “A gente dorme e acorda com medo. Toda chuva forte ou tremor mínimo já nos deixa em pânico”, conta Ana Lúcia, moradora há mais de 20 anos.
Um levantamento recente do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) mostra que houve aumento de até 40% na procura por atendimento psicológico gratuito desde 2023. De acordo com o movimento, o tempo estimado para evacuação em caso de ruptura seria de apenas oito segundos em determinadas áreas — cenário que gera ainda mais insegurança.
CSN reforça medidas de segurança
Em nota, a CSN Mineração reiterou que a barragem está sob vigilância 24 horas, com sistemas automatizados e vistorias frequentes realizadas por técnicos especializados. A empresa também afirma que investe em ações educativas e simulações de evacuação junto à Defesa Civil.
“A estrutura é segura, e não há qualquer indício de instabilidade. Entendemos o receio da população, por isso mantemos um canal de diálogo aberto e atuamos com total transparência”, declarou a companhia.
Saúde pública e apoio psicológico
A Secretaria Municipal de Saúde de Congonhas informou que ampliou os atendimentos psicossociais e criou um grupo específico para acolher pessoas afetadas emocionalmente pela situação da barragem. O serviço funciona nas unidades de saúde dos bairros Dom Oscar e Basílica.
Especialistas alertam que a saúde mental da população precisa ser considerada com o mesmo peso das medidas técnicas. “O risco percebido, mesmo quando controlado tecnicamente, pode causar sofrimento psicológico real e persistente”, explica a psicóloga social Beatriz Saldanha.
















