Preço do ouro despenca apesar da crise no Irã e dólar forte
Preço do ouro despenca apesar da crise no Irã e dólar forte é o cenário observado nesta terça-feira, quando o metal recuou cerca de 4%, cotado a US$ 5.124 por onça, contrariando a fama de refúgio seguro em tempos de turbulência.
Preço do ouro despenca apesar da crise no Irã e dólar forte
A principal explicação para a queda é o fortalecimento do dólar. “A moeda norte-americana está disparando, assim como os títulos do Tesouro dos EUA, o que cria forte vento contrário para o ouro”, afirmou o analista independente Ross Norman à agência Reuters. Como o ouro é precificado em dólares, a valorização da divisa reduz o custo do metal para investidores internacionais e pressiona a cotação.
Colin White, presidente-executivo da Verecan Capital Management, lembra que o metal vinha de forte valorização recente e, por isso, tornou-se “mais frágil” a movimentos especulativos. “Nada é refúgio o tempo todo”, resumiu.
Dólar refugia capital em meio ao conflito no Oriente Médio
O disparo da moeda norte-americana ocorre em paralelo à escalada militar no Oriente Médio. No sábado, Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã, que respondeu atingindo alvos militares e fechando, na prática, o Estreito de Hormuz, rota por onde passa 20% do petróleo mundial. Em períodos de “medo extremo”, disse White, o mercado global costuma buscar o dólar como porto mais seguro.
Petróleo sobe, inflação preocupa e juros podem reagir
A interrupção do fluxo de petróleo elevou o barril do tipo Brent para perto de US$ 74 — alta de quase 20% em relação aos US$ 64 negociados na quinta-feira anterior. O aumento no custo da energia tende a pressionar a inflação, já que gasolina e diesel encarecem o transporte de mercadorias. Segundo Patrick De Haan, analista da GasBuddy, isso “impacta do supermercado ao shopping”.
Com a ameaça de inflação maior, cresce a expectativa de que o Federal Reserve eleve os juros para conter os preços. Juros mais altos atraem capital estrangeiro, fortalecem ainda mais o dólar e, consequentemente, pesam sobre o ouro, que não rende juros. Esse ciclo explica a perda de brilho do metal precioso, mesmo em pleno conflito.

Imagem: two dres
Analistas ressaltam que o mercado segue em busca de direção. A duração da ofensiva — o presidente dos EUA, Donald Trump, falou em “quatro ou cinco semanas ou mais” — e a extensão dos impactos sobre oferta de petróleo serão decisivos para o comportamento futuro do ouro e do câmbio.
Quer entender mais sobre os efeitos econômicos de crises geopolíticas? Visite a editoria Brasil e acompanhe nossas atualizações diárias.
Crédito da imagem: Globalnews.ca















