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Poesia de Carolina Barreto tensiona sentir e sentido

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Poesia de Carolina Barreto tensiona sentir e sentido

Poesia de Carolina Barreto tensiona sentir e sentido ao reunir, nos livros “Rito” e “Passos”, lançados em junho pela TextoTerritório, um diálogo entre experimentação sonora, visualidade das palavras e reflexões sobre a impermanência.

Poesia de Carolina Barreto tensiona sentir e sentido

A poeta juiz-forana organizou Rito em sete movimentos nomeados por palavras iniciadas em “C” — Casca, Ceifa, Cerne, Cimo, Cera, Cascalho e Cisma — para repetir os sons [s] e [k] e conduzir o leitor a pensar na fragilidade das formas. Nesse percurso, o fazer sentir prevalece: o poema torna-se experiência sensorial que dispensa interpretações estáveis.

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Já em Passos, escrito um ano depois, Barreto opta por versos concisos e uma voz poética mais definida. Aqui, a autora explora a “linguagem como lugar de assombro”, alternando movimentos de recolhimento e expansão que mantêm o leitor entre segurança e vastidão. O professor e editor Alexandre Faria observa que a obra cria um movimento circular de forças antagônicas, elemento que reforça a tensão entre sentir e fazer sentido.

Professora e pós-doutoranda em criação literária na Universidade Federal de Juiz de Fora, Barreto relaciona a produção dos dois títulos ao desejo de abandonar coletâneas avulsas para construir um projeto unitário, onde cada parte dialoga com a experiência sensorial que inspirou o conjunto. A parceria com o ilustrador Felipe Moratori, que criou uma imagem para cada movimento de Rito, reforça esse universo estético.

Além dos novos lançamentos, a escritora assina obras como Dois (não pares) (2009) e Voragens (2012), e o ensaio Perifagia — comendo pelas beiradas (2018, reeditado em 2025). Sua trajetória combina pesquisa acadêmica e oficinas literárias, experiência que, segundo ela, confirma a criação como forma de investigação sobre o mundo.

Os livros propõem, portanto, que o leitor abra mão de significados fixos e permita que som, cor e forma provoquem o corpo de maneira direta. A noção de impermanência atravessa cada página, transformando rito e passo em metáforas de um caminho sempre em mutação.

Para saber como outros autores brasileiros experimentam linguagem e sensorialidade, visite nossa editoria Brasil e continue acompanhando nossas reportagens literárias.

Crédito da imagem: Divulgação

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