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Petróleo acima de US$ 100 e Focus em alta sinalizam a “tempestade perfeita” para a inflação no Brasil

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Para o economista Charles Mendlowicz, o prolongamento do conflito no Oriente Médio e a defasagem do diesel criam um cenário de “travamento” da economia; Boletim Focus já projeta IPCA de 4,31% para 2026

 

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O otimismo que sustentava o mercado brasileiro nas últimas semanas começou a dar lugar a uma cautela rigorosa. O Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central, revelou que as instituições financeiras elevaram a projeção do IPCA para 2026, saltando de 4,17% para 4,31%. O movimento ocorre em sintonia com a análise feita pelo economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, sobre o impacto severo do petróleo caro na estrutura de custos do país.

Para Mendlowicz, o fato de o conflito no Oriente Médio ter ultrapassado a marca crítica de um mês sem resolução mudou o patamar de risco global. “Eu avisei: se essa guerra durasse mais de duas semanas, daria uma confusão muito grande. E está acontecendo”, afirma o economista.

 

O “efeito cascata” do diesel

 

Enquanto o Focus ajusta as expectativas de inflação para cima, aproximando-se do teto da meta de 4,5%, Mendlowicz destaca que o grande vilão não é apenas o barril Brent acima de US$ 100, mas a dependência logística do Brasil.

“Se o diesel sobe, o tomate sobe. Se o diesel sobe, a cebola sobe. Tudo sofre. Se essa guerra demorasse duas semanas, na terceira semana explodiria o preço”, explica o fundador do canal Economista Sincero, lembrando que o diesel representa até metade dos custos do transporte no Brasil. Segundo ele, o represamento de preços pode gerar uma defasagem insustentável: “Essa bomba econômica vai explodir em outras áreas. Sempre começa na economia”.

 

Juros altos e o dilema do governo

 

O cenário de juros também reflete a deterioração das expectativas. Segundo dados do Boletim Focus, a mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 consolidou-se em 12,50%. O número revela um ajuste de rota do mercado diante das incertezas inflacionárias, sinalizando que os juros devem permanecer em patamares elevados por mais tempo para conter o avanço dos preços.

Esse aperto monetário prolongado corrobora a visão de Charles Mendlowicz sobre o risco real de um “travamento” da atividade econômica. “O governo está extremamente pressionado. O custo de vida está aumentando demais, e isso gera um desgaste político grande, limita o espaço para o crescimento sustentável”, pontuou o economista. Ele reforça que a ameaça ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% a 30% da produção mundial de petróleo, é um fator que pode ditar o ritmo da nossa inflação nos próximos meses.

 

Estratégia: proteção e cautela

 

Apesar de o Ibovespa ainda demonstrar resiliência acima dos 180 mil pontos, a recomendação é de vigilância. Com o dólar pressionado e a inflação ganhando corpo no Focus, Mendlowicz sugere que o investidor foque em proteção.

“Já deveria ter piorado muito, a bolsa até que está se segurando. Contudo, o Brasil entra numa fase de tensão e mais volatilidade; o mercado está atento a esse movimento”, conclui. Para o investidor, a mensagem do Economista Sincero é clara: o cenário de “pior caso” está ganhando tração, e a diversificação com foco em ativos reais e moedas fortes torna-se, mais do que nunca, uma questão de sobrevivência patrimonial.

Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero

 

 

Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.

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