⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos
“Será que meu pai vai querer passar o Dia dos Pais comigo?”. A pergunta feita por Miguel, de 5 anos, é simples, mas revela uma realidade vivida por milhares de crianças brasileiras. Enquanto o Dia dos Pais costuma ser marcado por homenagens e celebrações, para muitas famílias a data também evidencia a ausência, a espera e a frustração provocadas pelo abandono afetivo.
Para Miguel, a ausência do pai aparece em uma pergunta. Para a mãe dele, Steff Vratto, ela aparece na rotina: nas responsabilidades que precisam ser assumidas sozinha e na tentativa de explicar ao filho uma falta que ela também sente.
“Muitas vezes, o Miguel fala da saudade que sente. Faz perguntas, espera ligações. E não existe abraço de mãe que consiga ocupar esse lugar. Eu posso dar todo o amor do mundo, e dou. Posso estar presente em cada conquista e em cada dificuldade. Mas existe uma ausência que não foi causada por ele”.
Steff afirma que essa ausência também transforma a maternidade em uma experiência ainda mais desafiadora. “Enquanto uma criança sente a falta de um pai, uma mãe solo precisa assumir dois papéis. Somos nós quem levamos ao médico, vamos às reuniões da escola, colocamos comida na mesa, educamos, brincamos e ainda encontramos forças para dizer ao filho que tudo vai ficar bem.”
A história de Miguel faz parte de uma realidade vivida por milhões de famílias. Atualmente, cerca de 11 milhões de mulheres criam os filhos sozinhas no Brasil. Mas a ausência paterna, segundo especialistas, produz impactos na divisão de responsabilidades e também pode interferir na forma como a criança constrói a própria identidade e como ela interpreta a vida.
A psicóloga Evelyn Queiroz explica que a falta de participação paterna podem causar danos significativos no desenvolvimento da criança, na adolescência e permanecendo na vida adulta. “A pessoa pode compreender a sua experiência como uma rejeição, identificando o seu valor a ela, assim como responsabilizando a si pelo abandono e ou rejeição do pai e reproduzindo em outras relações padrões semelhantes”, destaca Evelyn.
Para a psicóloga, a existência de uma rede de apoio também é importante para ajudar a criança a lidar com essa experiência. “A família e outras redes de apoio dessa criança podem ajudá-la com essa ausência, através de outras formas de afeto e acolhimento e ensinando a experimentar e fortalecendo formas saudáveis de se relacionar – embora isso não substitua a importância da figura do pai”.
Segundo o advogado, a pensão alimentícia não substitui a convivência e o cuidado. Ele explica que o abandono afetivo não é crime, mas pode gerar responsabilização na esfera civil quando houver comprovação de omissão e danos causados ao filho. “A Justiça analisa aspectos como a ausência de participação na vida da criança, a falta de apoio emocional e o descumprimento de deveres relacionados ao cuidado”, conclui Thadeu.
















