Operação policial no Rio deixa 119 mortos, diz Defensoria
Operação policial no Rio deixa 119 mortos, diz Defensoria marcou a ação mais letal da história fluminense, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (29). O balanço, confirmado pela Defensoria Pública e pela Polícia Civil, contabiliza 115 suspeitos e quatro agentes de segurança mortos após a incursão nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro.
Operação policial no Rio deixa 119 mortos, diz Defensoria
A corporação informou que o plano foi elaborado ao longo de dois meses para deslocar integrantes do Comando Vermelho de áreas densamente povoadas para regiões de mata, onde unidades de operações especiais aguardavam o confronto. O secretário de Segurança, Victor Santos, admitiu que a elevada letalidade “era esperada, embora não desejada”. Durante a ofensiva, foram apreendidos 93 fuzis e mais de meia tonelada de drogas.
Testemunhas relataram cenas de terror. De madrugada, o ativista Raull Santiago contou ter encontrado 15 corpos “com tiros nas costas, na cabeça e sinais de tortura”, classificando o episódio como massacre. Pela manhã, moradores cercaram caminhões que transportavam cadáveres até uma praça, clamando por justiça antes da chegada da perícia.
O porta-voz da Polícia Civil, delegado Felipe Curi, disse que novos corpos foram retirados de uma área de floresta e que há indícios de remoção de coletes e fardamentos pelos residentes, atitude que pode configurar fraude processual. Já o governo estadual sustenta que os mortos estavam armados e resistiram à prisão, ressaltando que a operação combateu “narco-terrorismo”.
Entidades de direitos humanos, entre elas a ONU, pediram investigação independente e reforma urgente dos métodos policiais. A organização enfatizou que violações “não podem ficar impunes” e cobrou processos que garantam verdade e justiça para evitar a repetição da violência.
Mortes em ações semelhantes têm histórico no estado: em 2021, 28 pessoas morreram na favela do Jacarezinho; em 2005, 29 na Baixada Fluminense. Para Filipe dos Anjos, da FAFERJ, a estratégia não enfraquece o crime organizado. “Em 30 dias, a facção se reestrutura e o ciclo recomeça”, afirmou.
Imagem: Rachel Goodman Global
Com escolas fechadas, carros incendiados e vias bloqueadas, a população conviveu com horas de pânico. Enquanto o debate sobre segurança pública se intensifica, especialistas alertam que violência excessiva pode agravar a crise social nas favelas.
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Crédito da imagem: AP Photo / Silvia Izquierdo















