Omeprazol: uso prolongado exige cautela, alertam médicos
Omeprazol: uso prolongado exige cautela, alertam médicos Medicamento popular para refluxo e gastrite já não é considerado inofensivo; pesquisas apontam carências nutricionais e risco de infecções no uso contínuo.
Omeprazol: uso prolongado exige cautela, alertam médicos
Lançado nos anos 1980, o omeprazol revolucionou o tratamento de úlceras e refluxo ao inibir a produção de ácido gástrico. Com preço acessível, o remédio — classificado como inibidor da bomba de prótons (IBP) — passou a ser ingerido diariamente por milhões de brasileiros, muitas vezes sem acompanhamento médico. Hoje, essa prática virou alvo de questionamentos.
A gastroenterologista Débora Poli, do Hospital Sírio-Libanês, afirma que a tendência atual é evitar prescrições indiscriminadas. Pantoprazol, esomeprazol e lansoprazol, pertencentes à mesma classe, compartilham os mesmos efeitos adversos potenciais.
Estudos citados pela Federação Brasileira de Gastroenterologia indicam que o uso prolongado reduz a absorção de ferro, magnésio, cálcio e vitamina B12. “O resultado pode ser anemia, fadiga, cãibras e osteopenia”, explica a gastroenterologista Karoline Soares Garcia.
Há ainda aumento do risco de infecção intestinal por Clostridioides difficile, capaz de provocar diarreia grave. Observações sugerem possível relação com doença renal crônica e fraturas, embora sem comprovação definitiva. “A orientação é manter a menor dose pelo menor tempo possível”, destaca o oncologista clínico Raphael Brandão.
Mesmo assim, o omeprazol permanece essencial em esofagite grave, esôfago de Barrett, uso prolongado de anti-inflamatórios e na erradicação de Helicobacter pylori. Nessas situações, médico e paciente avaliam juntos o risco-benefício.
Para casos leves ou refluxo ocasional, alternativas incluem bloqueadores H2, como a famotidina, e os mais recentes P-CABs, a exemplo da vonoprazana. Mudanças de hábito — perder peso, evitar deitar após comer, reduzir álcool e ultraprocessados — também ajudam a dispensar o medicamento.
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Segundo a Organização Mundial da Saúde, a automedicação está entre as principais causas de reações adversas evitáveis, reforçando a necessidade de prescrição e revisão periódica.
Se a suspensão for indicada, a redução deve ser gradual para evitar hipersecreção ácida de rebote. Revisar a receita com frequência combate a chamada “inércia terapêutica”.
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