Olimpíadas de Inverno: novo estudo aponta riscos do clima
Olimpíadas de Inverno: pesquisa liderada pela Universidade de Waterloo, no Canadá, indica que o aquecimento global reduzirá drasticamente o número de cidades capazes de receber, com segurança, as Olimpíadas e Paralimpíadas de Inverno até 2080.
Olimpíadas de Inverno: novo estudo aponta riscos do clima
O estudo, publicado na revista Current Issues in Tourism, analisou 93 locais com pistas homologadas para competições internacionais. Os autores, Daniel Scott e Robert Steiger, concluíram que, se as emissões de carbono mantiverem o ritmo atual, apenas 16 destinos permanecerão confiáveis para as Paralimpíadas em março de 2080. Para os Jogos Olímpicos em fevereiro, cerca de metade das sedes continuaria apresentando neve e temperaturas adequadas.
Para enfrentar o problema, os pesquisadores sugerem duas alternativas. A primeira seria unificar Jogos Olímpicos e Paralímpicos em fevereiro, mês historicamente mais frio. A segunda, considerada mais promissora, propõe antecipar ambos os eventos em duas ou três semanas, o que quase dobra as opções para as Paralimpíadas, com impacto mínimo na lista de cidades aptas às Olimpíadas.
A pesquisa enfatiza que a produção de neve artificial será imprescindível para manter as competições. Sem esse recurso, apenas sete locais atendem aos requisitos atualmente, número que cairia para quatro antes de 2050. Beijing, em 2022, foi a primeira edição a depender quase totalmente de neve produzida; já em 2026, Milão-Cortina pretende fabricar 2,4 milhões de metros cúbicos do material.
Os autores alertam que rejeitar a neve artificial significaria expor atletas a condições inseguras, comprometendo a justiça esportiva. O Comitê Olímpico Internacional (COI) já interrompeu o processo de escolha da sede de 2030 para avaliar o impacto climático, e passou a exigir que futuros locais comprovem condições até meados do século.
Madeleine Orr, coautora e professora de ecologia esportiva na Universidade de Toronto, defende que a comunidade de esportes de inverno trabalhe unida para cumprir o Acordo de Paris. “Nenhum esporte escapará dos efeitos do clima; os atletas merecem condições sustentáveis”, ressaltou.

Imagem: Jordan Omstead The Canadi
No curto prazo, o estudo aponta que aperfeiçoar a eficiência energética e hídrica da neve artificial é essencial para conciliar esporte e sustentabilidade.
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Crédito da imagem: AP Photo/Gabriele Facciotti















