O nascimento de um bebê e o puerpério.

O nascimento de um bebê e o puerpério.

Se imagine dirigindo um carro, sozinho, em uma estrada bem movimentada. Uma música bem gostosa está tocando no rádio, o dia está lindo, um sol agradável brilha no céu. Você está atento a tudo a seu redor e se sente seguro estando ali.

Quando de repente surge uma grande e densa neblina. Você mal consegue enxergar meio metro a frente do carro. Imediatamente você sente um frio no estômago e um suor gelado começa a escorrer pelo seu corpo. Você não suporta mais o som do carro e o desliga. Abaixa os faróis e diminui drasticamente a velocidade.

Você sabe que não pode parar o carro, já que não consegue ver o acostamento e além do mais parar o carro a beira da estrada não seria uma estratégia segura. O jeito é continuar o caminho devagarinho e com muita cautela.

A tensão de estar vivendo este inesperado, te faz sentir uma dor forte nos ombros. Você se percebe quase colado ao volante e com toda a musculatura do corpo bem rígida. O frio do estômago não passa e nenhum sinal de que aquela neblina terá fim.

Você até tenta usar todas as estratégias que conhece e que ouviu de outras pessoas sobre como atravessar a neblina, mas no aqui e agora nenhuma mais faz sentido. Você está sendo controlado por suas emoções e a sensação é de que o racional neste momento está tão gelado quanto o suor que escorre no seu rosto.

Por mais que você tenha anos de experiência no volante e talvez já tenha passado por esta neblina antes, aquela sensação é única e vivê-la te faz sentir um emaranhado de coisas estranhas.

Toda esta descrição acima, pode ser fielmente comparada a vivência do puerpério, que também é conhecido como resguardo, quarentena ou pós-parto. Este é considerado como sendo o período em que todas as mulheres vivem após o nascimento do bebê e que, a partir de uma visão psicológica, pode durar aproximadamente dois anos.

Este período vai muito além das transformações físicas no corpo materno. Ele compreende todas as alterações corporais, psicológicas, sociais, espirituais, emocionais e a forma de lidar com todas elas.

É um período extremamente delicado, denso e propício para o surgimento de doenças psicológicas importantes, como a depressão pós-parto e a psicose puerperal. Também é comum o fato de muitas mulheres passarem por uma fase chamada tristeza materna, ou baby blues.

Para além de toda alegria que a chegada de um recém-nascido pode proporcionar, é preciso um olhar compreensivo e acolhedor para com a mulher nesta fase. É necessário a formação de uma rede de apoio que cuide dos afazeres da casa e das questões mais pontuais para que a mulher se dedique com qualidade, em criar e manter a conexão com o filho.

Nesta fase, toda ajuda é bem-vinda, desde que respeitosa, silenciosa e compreensiva, ou seja, sem julgamentos, comparações, respeitando a privacidade da puérpera e daquela nova família.

Na próxima semana continuaremos neste assunto, mas abordaremos o adoecimento psicológico que muitas mulheres enfrentam no pós-parto.

Liliam Medeiros da Silva

Psicóloga Clínica – CRP 04/37232

Mestre em Psicologia

Contato: 31 98650 7643

@psi.liliammedeiros

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