Nova variante da mpox detectada no Reino Unido e Índia
Nova variante da mpox detectada no Reino Unido e Índia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que uma cepa recombinante do vírus foi identificada em pacientes nos dois países, levantando a hipótese de circulação mais ampla do agente infeccioso do que apontam os registros oficiais.
Nova variante da mpox detectada no Reino Unido e Índia
De acordo com a OMS, os dois indivíduos apresentaram os sintomas já conhecidos da mpox — febre, linfonodos inchados e lesões cutâneas —, mas evoluíram sem complicações graves. A investigação de contatos não encontrou novos infectados ligados a esses casos, mantendo inalterada a avaliação global de risco da entidade.
A análise genômica revelou que a cepa resultou de um processo natural de recombinação entre os clados Ib e IIb. O primeiro caso foi sequenciado no Reino Unido em outubro de 2025, após a viagem do paciente à região Ásia-Pacífico. Já o segundo foi notificado na Índia em janeiro de 2026, embora os sintomas tenham começado enquanto o paciente trabalhava na Península Arábica, em setembro de 2025. A similaridade genética ultrapassa 99,9%, indicando origem comum.
No Brasil, o Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies) contabiliza 44 diagnósticos de mpox em 2026 somente no estado de São Paulo. Desde 2022, o total chega a 6.048 registros, sendo 422 deles em 2025.
A mpox pertence ao gênero Orthopoxvirus, o mesmo da varíola humana. A transmissão ocorre principalmente por contato físico direto, inclusive sexual, compartilhamento de objetos contaminados e, em situações específicas, por partículas respiratórias. Segundo o virologista Flavio Guimarães, da UFMG e do INCT-Pox, a maioria dos quadros no país é benigna; óbitos costumam envolver pacientes com comorbidades, como HIV.
A OMS alerta que testes de PCR usados para diferenciar clados podem falhar na detecção de variantes recombinantes, tornando indispensável o sequenciamento genômico completo. A organização recomenda vigilância ativa, notificação rápida de suspeitas e vacinação direcionada a grupos de maior risco, especialmente homens que fazem sexo com homens com múltiplos parceiros e profissionais do sexo.

Imagem: airde
Embora ainda não haja indícios de maior transmissibilidade ou gravidade, especialistas defendem que sistemas de saúde reforcem ações integradas aos programas de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.
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Crédito da imagem: airdone / Shutterstock.com















