Netanyahu e Trump colidem após trégua EUA-Irã no Oriente
Netanyahu e Trump colidem após trégua EUA-Irã no Oriente é a manchete que domina Jerusalém e Washington desde que Estados Unidos e Irã acertaram um cessar-fogo de 60 dias, impondo limites imediatos às operações israelenses no Líbano.
Netanyahu e Trump colidem após trégua EUA-Irã no Oriente
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu havia apostado numa campanha militar conjunta com Donald Trump para enfraquecer o regime clerical iraniano e, de quebra, impulsionar sua popularidade antes das eleições em Israel. A manobra, no entanto, saiu do controle: o presidente norte-americano pressiona pelo fim das hostilidades, enquanto as tropas israelenses enfrentam impasses no sul do Líbano.
Em público, autoridades israelenses mantêm cautela para não irritar seu principal aliado, mas, em conversas reservadas, classificam o acordo preliminar como “terrível para Israel”. Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, o temor é que a janela de 60 dias seja prorrogada indefinidamente, impossibilitando qualquer ofensiva contra o Hezbollah enquanto preocupações centrais, como o programa nuclear iraniano, permanecem sem solução.
A tensão entre Netanyahu e Trump ganhou contornos pessoais. No início de junho, o republicano teria chamado o premiê de “completamente louco” por telefone e o proibiu de atacar Beirute durante negociações sensíveis com Teerã. Netanyahu recuou, mas, uma semana depois, bombardeou subúrbios ao sul da capital libanesa, provocando mísseis iranianos sobre Israel e uma reprimenda pública de Washington.
No domingo, horas antes de o pacto EUA-Irã ser divulgado, Israel voltou a atingir Beirute após foguetes disparados do Líbano. Trump minimizou o episódio, classificando-o como “pequeno e insignificante”. Em coletiva realizada na segunda-feira, Netanyahu reconheceu divergências pontuais com o aliado: “Ele é o presidente dos Estados Unidos; eu, o primeiro-ministro de Israel. Muitas vezes concordamos e, em outras, discordamos. Sou responsável pela segurança de Israel”.
Analistas veem na disputa um momento inédito de divergência estratégica. Para Dan Shapiro, ex-embaixador dos EUA em Tel Aviv e pesquisador do Atlantic Council, Netanyahu evitará confronto aberto com Trump, mas deixará claro que Israel se reserva o direito de agir. A BBC reforça que a opinião pública israelense começa a duvidar do compromisso norte-americano com a defesa do país (BBC).

Imagem: Reuters
Com as eleições se aproximando e as sondagens desfavoráveis, o líder israelense pode endurecer a postura para agradar eleitores céticos. Enquanto isso, Trump corre contra o relógio para apresentar um acordo definitivo que inclua limitações verificáveis ao programa atômico iraniano.
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Crédito da imagem: REUTERS/Jonathan Ernst















