Mulheres no campo impulsionam produção rural em Divino
Mulheres no campo impulsionam produção rural em Divino ao transformarem Carangolinha de Cima, na Zona da Mata mineira, em exemplo de independência feminina e diversidade agrícola.
Mulheres no campo impulsionam produção rural em Divino
A pequena comunidade soma cerca de 200 moradores, dos quais 60% são mulheres que produzem cafés especiais, hortaliças, frutas, farinhas, quitandas e doces. Além de plantar e colher, elas dirigem caminhonetes, negociam preços e abastecem feiras livres, programas de alimentação escolar e mercados locais, garantindo o sustento de dezenas de famílias.
Renata de Souza Gomes, 40 anos, formada em Licenciatura em Educação do Campo pela Universidade Federal de Viçosa, é uma das líderes desse movimento. “Aprendi com minha mãe a respeitar a natureza. Hoje coloco no rótulo do meu café: ‘Produzido por mulheres’”, afirma.
Na casa de Renata vivem cinco gerações: a avó Geisha Neto de Souza, 90, conhecida como dona Zica; as tias Neli, Ana, Vanilda e Romilda; e a jovem Valentina, 12. Juntas, elas cultivam banana, diversas variedades de feijão, abóbora, mandioca, abacate, laranja, manga, amora, abacaxi e pitanga, entre outras culturas.
Mesmo com avanços, o preconceito persiste. “Alguns homens ainda perguntam pelo meu pai ou marido. Respondo com orgulho: pode falar comigo”, diz Renata, que dribla limitações físicas fracionando sacas de café para transportar a produção.
O protagonismo feminino ganhou fôlego com o auxílio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e de programas estaduais como o Irriga Minas, que distribuiu 27 kits de irrigação para as produtoras locais em 2023. Segundo a extensionista Emanuella Costa Torres, essas ações elevam a oferta de alimentos e a renda familiar, fortalecendo a atuação das agricultoras. Dados da FAO indicam que comunidades lideradas por mulheres apresentam índices mais altos de segurança alimentar.

Imagem: Internet
O resultado concreto é visível nas prateleiras e na autoestima das produtoras. “Antes muitas tinham vergonha de se declarar agricultoras; hoje nos orgulhamos”, resume Renata.
Histórias como a de Carangolinha de Cima reforçam que empoderar mulheres no campo significa mais produção, renda e qualidade de vida para toda a região. Para conhecer outros exemplos de superação, visite nossa seção Brasil e acompanhe as próximas reportagens.
Crédito da imagem: Renata de Souza Gomes / Arquivo pessoal















