Mídias sociais na infância e adolescência e os impactos da superexposição

Mídias sociais na infância e adolescência e os impactos da superexposição

A minha geração e a de muitos leitores aqui conhece muito bem os álbuns de recordações e fotografias. Sim! Aqueles que abrigavam e abrigam memórias de família e eventos considerados importantes, sobretudo na nossa infância e adolescência. O mesmo álbum que nas reuniões familiares nunca deixa de surgir, causando, por vezes, constrangimentos.

Atualmente, estamos presos na era da sociedade digital e tais recordações estão intrínsecas às redes sociais, pois elas nos ajudam a “não esquecer” de nada, não apenas dos aniversários, mas também de qualquer fato ou acontecimento, seja uma briga, a morte de alguém, uma formatura, viagens e o nascimento dos nossos filhos.

Oras! Compartilhar cheio de orgulho, as conquistas dos filhos com pessoas próximas é um instinto quase natural e a internet permite que façamos isso de maneira mais rápida e para um público maior.

Mas até que ponto essa exposição é sadia e segura para os nossos filhos?

O lado bom é perpetuar acontecimentos positivos na vida deles e o lado ruim segue a mesma premissa: eternizar ocorrências negativas.

Até aqui tudo bem, registrar faz parte! Sou mãe, sempre registrei e registro, posto (ainda que com cautela e bom senso). Hoje, entretanto, meus filhos já podem dizer (têm esse direito) se posso ou não postar uma foto ou vídeo deles nas minhas redes sociais.

Contudo, tenho visto (antes mais comumente entre famosos e celebridades) perfis em redes sociais criados pelos pais antes mesmo da organização do enxoval.

Para início de conversa, penso que nessa faixa etária (0 a 6 anos), meninos e meninas não deveriam nem ter acesso a dispositivos eletrônicos. Que dirá ter suas fotos, vídeos e experiências compartilhadas na internet.

Até que ponto essa superexposição desde a mais tenra idade pode se tornar um inconveniente para os nossos filhos no futuro? As crianças até certa idade precisam de alguém para garantir a sua privacidade, segurança, bem como falar, ouvir e pensar por elas. E nós pais somos os responsáveis por essas ações.

Sendo assim, antes de ousarmos criar uma rede social para os nossos filhos, devemos nos questionar e refletir sobre vários aspectos importantes.

Imaginemos, pois, o que o nosso filho adolescente diria. Têm dúvidas se ele gostaria, não poste. Avalie também se aquilo pode se tornar futuramente um motivo de bullying na escola, se pode causar constrangimento ou vergonha em alguma situação porque as imagens ficarão online por muitos anos.

Um outro aspecto (na minha concepção mais relevante que o anterior) está no risco que muitos pais correm ao postarem nas suas redes sociais ou na da própria criança detalhes da rotina dos pequenos. A internet é uma ameaça constante e o perigo aumenta com publicações de fotos de bebês e crianças.

Não é surpresa os filhos nascerem e nós pais, explodindo de orgulho divulgarmos fotos em nossos perfis. São imagens do parto, da chegada em casa, do primeiro banho, do primeiro cocô (sim, vocês leram certo), da visita de familiares e a criança fica cada vez mais exposta na internet.

Para nós pais, essas simples ações podem parecer ingênuas. Porém, essa exibição toda facilita as possíveis tentativas de golpe, sequestro ou pedofilia.

A internet não é um álbum de família como o citado no início do texto, pois tem um alcance ilimitado. Algumas fotos das crianças podem ter conotação sexual para o indivíduo que pratica a pedofilia. Outros detalhes como: uniforme da escola, check-ins, exposição da rotina tendem a atrair golpistas e sequestradores, por exemplo.

Enfim, a linha entre o que é bom e ruim nas redes é tênue e exige muita responsabilidade por parte dos pais e/ou responsáveis.

Quando vejo Instagram de bebês, de crianças que ainda não “respondem por si” , penso o quão cruéis podem ser as consequências para seres tão indefesos. Enquanto pais, devemos protegê-los, mantendo a dignidade, o respeito, a privacidade, a integridade e os direitos dos nossos filhos até que eles mesmos tenham autonomia para fazê-lo; e não exibi-los todo o tempo feito um troféu, visando ainda que inconscientemente ao aumento do nosso ego.

Enfim, essa exposição das crianças nas redes sociais creio que pode implicar em cuidados com a saúde mental e a autoestima dos pequenos. Existe o mundo ideal e o mundo real. Muitas vezes a internet apresenta uma vida perfeita e inalcançável, que pode impactar diretamente na autoestima e percepção do mundo dessas crianças, portanto, há de se pensar muito antes de se criar um perfil dos nossos filhos nas redes ou permitir que eles criem. Pular etapas é definitivamente algo que não vale a pena. A conta chega. O preço é alto. E pagar pode doer.

Do meu coração para o de vocês!

Até breve!

Lívia Baeta

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