Meta rastreia usuários da Apple sem consentimento, diz ação
Meta rastreia usuários da Apple sem consentimento, diz ação. A denúncia, apresentada ao Tribunal Central de Trabalho de Londres por Samujjal Purkayastha, ex-gerente de produtos da Meta Shops, afirma que a empresa driblou as barreiras de privacidade do iOS, monitorou usuários sem autorização e superestimou o desempenho de seus anúncios.
Acusações de violação de privacidade
Purkayastha sustenta que, após a Apple implementar em 2021 o recurso Transparência de Rastreamento de Aplicativos (ATT), que exige permissão explícita antes de qualquer coleta de dados, a Meta procurou métodos alternativos para manter o fluxo de informações. Entre 2022 e 2023, teria sido adotada uma técnica de “correspondência determinística”, combinando dados próprios a informações externas para identificar proprietários de iPhones mesmo sem o sinal de rastreamento autorizado.
Segundo o ex-funcionário, auditorias internas realizadas em 2024 mostraram que o retorno sobre investimento em anúncios (ROAS) do Meta Shops estava inflado entre 17% e 19%. O cálculo considerava impostos e fretes como parte das vendas, embora esses valores nunca fossem repassados aos lojistas.
Impacto financeiro e resposta da companhia
A estimativa do denunciante é de que a manipulação evitou um prejuízo de aproximadamente US$ 10 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões) em receitas publicitárias. Em comunicado ao Financial Times, a Meta classificou as alegações como “infundadas” e declarou ter “confiança total” em seus processos de avaliação de desempenho.
A Justiça britânica chegou a negar um pedido de tutela provisória para reintegrar Purkayastha, alegando falta de provas de retaliação direta. Ainda assim, o processo segue em tramitação, e o ex-gerente afirma ter sido dispensado logo após relatar as supostas irregularidades a seus superiores.
Como o rastreamento teria ocorrido
De acordo com a ação:
Imagem: Alex Stock
- 2021 – Apple lança o ATT; maioria dos usuários recusa o rastreamento.
- 2022 – Meta tenta prever comportamento por aprendizado de máquina, mas não obtém resultados eficazes.
- 2022/23 – Companhia recorre à correspondência determinística para identificar usuários de iOS sem consentimento.
- 2024 – Auditorias internas apontam ROAS inflado em até 19%.
Especialistas lembram que a Meta, assim como outras redes sociais, depende fortemente de dados granulares para segmentar anúncios. A mudança da Apple tornou esse modelo mais difícil, desencadeando ajustes agressivos em toda a indústria, segundo análise publicada pela Adweek.
No desfecho da denúncia, Purkayastha alega que, mesmo após identificar problemas no método de rastreamento, a equipe responsável teria optado por mantê-lo para não comprometer as metas de receita.
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Crédito da imagem: Alex Photo Stock/Shutterstock
















