Meta teria ocultado riscos a crianças em realidade virtual
Meta teria ocultado riscos a crianças em realidade virtual é a principal acusação feita por quatro pesquisadores à empresa, em documentos enviados ao Congresso dos Estados Unidos. Eles afirmam que, desde 2021, a Big Tech passou a restringir estudos sobre segurança infantil em seus dispositivos e aplicativos de realidade virtual (RV).
Meta teria ocultado riscos a crianças em realidade virtual
Os relatos, organizados com apoio da organização sem fins lucrativos Whistleblower Aid, baseiam-se em milhares de páginas de mensagens internas, memorandos e apresentações cobrindo uma década dos serviços de RV da Meta. Segundo os denunciantes, após o vazamento de pesquisas internas feito por Frances Haugen em 2021, a companhia passou a submeter estudos sensíveis a uma revisão jurídica que resultava em edições ou veto completo dos trabalhos.
Entre os documentos estão orientações para evitar coleta de dados que comprovasse a presença de crianças em ambientes virtuais. Em um caso registrado na Alemanha, em 2023, um adolescente revelou que o irmão, com menos de dez anos, recebeu propostas sexuais de adultos dentro da plataforma. A chefia, porém, teria ordenado a exclusão da gravação e dos registros escritos do ocorrido.
Jason Sattizahn, um dos pesquisadores, relatou ao Washington Post que foi demitido em abril de 2023 após contestar as restrições impostas. Ele descreveu a expressão de “profunda tristeza” da mãe da criança ao perceber os riscos escondidos.
A audiência, marcada para esta terça-feira (9) no Comitê Judiciário do Senado, recebe o nome de “Hidden Harms” e buscará esclarecer se a Meta tentou criar “negação plausível” para potencias efeitos negativos dos seus produtos.
O escrutínio ocorre em meio a pressões da Comissão Federal de Comércio (FTC). Em 2023, o órgão acusou a empresa de violar a lei de proteção infantil online e de enganar pais sobre o controle das interações de seus filhos. A FTC quer impedir a Meta de lucrar com dados de menores de 18 anos, inclusive em RV, mas a companhia contesta na Justiça.
Imagem: Poetra.RH
Em comunicado, a porta-voz Dani Lever negou as denúncias e afirmou que, desde 2022, quase 180 estudos sobre questões sociais passaram pelo Reality Labs, gerando atualizações como ferramentas de supervisão parental. Segundo ela, a empresa segue legislações como a COPPA nos EUA e o GDPR na União Europeia, que restringem o uso de dados de menores de 13 anos.
O caso amplia questionamentos sobre o compromisso da Meta com a segurança de crianças e adolescentes enquanto a empresa investe bilhões no Metaverso.
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Crédito da imagem: Poetra.RH/Shutterstock














