Mercado acionário da China volta a atrair estrangeiros
Mercado acionário da China volta a atrair estrangeiros depois de três anos sob desconfiança, à medida que gestoras globais enxergam oportunidades em tecnologia e buscam diversificação fora dos Estados Unidos.
Tecnologia e alívio tarifário impulsionam otimismo
O avanço chinês em inteligência artificial, semicondutores e fármacos inovadores tem convencido capitais internacionais de que a guerra comercial e as restrições de Washington não frearam a inovação na segunda maior economia do mundo. A recente trégua tarifária entre Pequim e Washington, aliada ao afrouxamento monetário doméstico, elevou o Shanghai Composite ao maior nível em dez anos e levou as ações de Hong Kong ao ponto mais alto em quatro anos.
Segundo a agência Reuters, agosto registrou o maior volume de compras de ações chinesas por hedge funds globais em seis meses, sinalizando a retomada do interesse no mercado de US$ 19 trilhões, incluindo Hong Kong. Empresas como a Polar Capital elevaram a fatia de papéis chineses para mais de 30% de seus portfólios emergentes, enquanto plataformas de investimento estão sendo estruturadas para conectar recursos dos EUA e da Europa às bolsas locais.
Fluxos mostram mudança de humor
Dados da Morningstar indicam recuo na criação de fundos que excluem a China: apenas oito veículos foram lançados em 2025, ante 21 no ano anterior. Gestores relatam auditórios lotados em conferências sobre o país e aumento de consultas de clientes sobre mandatos focados na região. Para muitos, a baixa correlação do mercado onshore de A-shares com o resto do mundo reforça a busca por diversificação.
Entraves macroeconômicos mantêm cautela
Apesar da melhora do sentimento, fatores estruturais continuam pesando. Produção industrial fraca, vendas no varejo em desaceleração e queda de 13,2% no investimento estrangeiro direto nos cinco primeiros meses de 2025 apontam para uma economia ainda vulnerável. Estrategistas destacam pressões deflacionárias e alertam que o boom da IA precisará alcançar a economia real para sustentar o rali além de 2025.
Imagem: Reuters
“O capital estrangeiro está na porta, observando”, resume Cheng Yu, gestor da Allianz Global Investors. Para analistas, a sustentação do fluxo dependerá da consolidação do crescimento e de reformas que reforcem a confiança de longo prazo.
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Crédito da imagem: Reuters/Chaiwat Subprasom















