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Medicamento para Alzheimer é aprovado pela Anvisa no Brasil

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Medicamento para Alzheimer é aprovado pela Anvisa no Brasil

Medicamento para Alzheimer Leqembi, à base do anticorpo monoclonal lecanemabe, recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em pacientes adultos nas fases iniciais da doença.

Registro marca avanço após décadas sem terapias modificadoras

A decisão, publicada no Diário Oficial da União no fim de dezembro, libera o uso do fármaco em casos de comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada ao Alzheimer, desde que haja confirmação, por exames, da presença de placas de proteína beta-amiloide no cérebro. A aprovação coloca o Brasil entre os primeiros países a oferecer a nova geração de anticorpos antiamiloide, já chancelada pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

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O lecanemabe atua aderindo-se às placas amiloides e promovendo sua remoção ao redor dos neurônios. Administrado por infusão intravenosa quinzenal, o tratamento demonstrou reduzir em 27% o ritmo da perda cognitiva após 18 meses de acompanhamento clínico. Resultados semelhantes foram observados com o donanemabe, da Eli Lilly, liberado pela Anvisa em 2023.

Indicação restrita e custo elevado desafiam acesso

Para receber o medicamento para Alzheimer, o paciente não pode apresentar a mutação no gene APOE-e4, que aumenta o risco de efeitos adversos graves como edemas e micro-hemorragias cerebrais. A triagem exige exames genéticos e de neuroimagem, além de acompanhamento contínuo por especialistas.

O preço ainda não foi definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Nos Estados Unidos, o tratamento anual custa aproximadamente US$ 26,5 mil (cerca de R$ 143 mil). Especialistas consideram improvável a incorporação imediata pelo Sistema Único de Saúde (SUS) devido ao alto valor e à necessidade de infraestrutura hospitalar.

Segurança sob monitoramento

Ensaios clínicos relataram reações como dores de cabeça e alterações relacionadas à infusão. Casos mais graves de inchaço cerebral foram raros, mas exigem vigilância. O neurocientista Mychael Lourenço, da UFRJ, destaca que os estudos se concentraram em populações dos EUA e Europa, menos heterogêneas que a brasileira, e defende monitoramento nacional pós-comercialização.

Apesar das limitações, organizações internacionais, como a Alzheimer’s Association, classificam a aprovação de terapias modificadoras como um passo crucial para retardar a progressão da doença, que afeta cerca de 1,2 milhão de brasileiros.

O Leqembi não representa cura, mas oferece a possibilidade de prolongar a autonomia de pessoas em estágio inicial, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce, acesso a centros especializados e educação sobre sintomas entre familiares e profissionais de saúde.

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Crédito da imagem: Reprodução/Phamadoor/Eisai

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