MBTI não tem respaldo científico, apontam especialistas
MBTI não tem respaldo científico, apontam especialistas, e mesmo assim o teste das 16 personalidades continua a dominar redes sociais, processos seletivos e treinamentos corporativos.
MBTI não tem respaldo científico, apontam especialistas
Popularizado por quizzes on-line, vídeos no TikTok e fóruns, o Myers-Briggs Type Indicator (MBTI) transformou siglas como INFP, ENTJ ou ISFJ em verdadeiras identidades digitais. Seu apelo, porém, não encontra sustentação na psicologia acadêmica. Pesquisadores alertam que o instrumento carece de validade científica e pode induzir decisões equivocadas sobre carreira ou relacionamentos.
O teste foi desenvolvido na década de 1940 por Katharine Cook Briggs e Isabel Briggs Myers, a partir das ideias do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung sobre introversão, extroversão e funções cognitivas. As quatro dicotomias — Extroversão (E) x Introversão (I), Sensação (S) x Intuição (N), Pensamento (T) x Sentimento (F) e Julgamento (J) x Percepção (P) — geram 16 combinações possíveis. A linguagem simples e recheada de traços positivos alimenta o chamado “efeito Barnum”, no qual descrições vagas parecem muito precisas.
A falta de peer review adequado coloca o MBTI fora dos parâmetros adotados por instrumentos consagrados, como o modelo dos Cinco Grandes Fatores (Big Five). Estudos revisados por especialistas apontam três fragilidades principais: baixa confiabilidade teste-reteste, simplificação excessiva da complexa natureza humana e incapacidade de prever desempenho acadêmico, profissional ou social.
Ainda assim, empresas seguem aplicando a ferramenta em dinâmicas de grupo. Segundo o psicólogo organizacional Adam Grant, a prática pode ser “um elaborado biscoito da sorte”. A American Psychological Association esclarece, em documento de posicionamento, que a utilização de testes sem validade comprovada coloca organizações e candidatos em risco de vieses (fonte: APA).
Especialistas defendem que o MBTI seja visto como entretenimento, não como critério de seleção ou autoconhecimento profundo. “Não há problema em brincar com o resultado, desde que ele não determine escolhas importantes”, ressalta a psicóloga clínica Ana Lúcia Ribeiro.
Imagem: Wikimedia domínio público
Para quem deseja compreender traços pessoais com base em evidências, o Big Five oferece avaliação padronizada de abertura, extroversão, amabilidade, conscienciosidade e estabilidade emocional, com robusto respaldo estatístico e cultural.
Em síntese, o fascínio pelo MBTI ilustra como classificações sedutoras podem ganhar status de verdade mesmo sem fundamento científico. Avaliações profissionais continuam essenciais para decisões de peso na vida pessoal ou corporativa.
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Crédito da imagem: Wikimedia (domínio público)















