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Maria da Penha virtual do TJRJ registra número recorde de pedidos em 2026

Imagem ilustrativa: Maria da Penha virtual do TJRJ registra número recorde de pedidos em 2026
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Cresce número de pedidos no Maria da Penha virtual do TJRJ

Desde seu lançamento, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) tem observado um crescimento constante no uso do aplicativo Maria da Penha Virtual. De janeiro a julho de 2026, foram contabilizados 3.210 pedidos de medidas protetivas contra violência doméstica, índice que já se aproxima do total de 3.696 registrado em todo o ano de 2025. Esses números indicam que 2026 pode se tornar o ano com maior número de solicitações desde a criação da plataforma, mostrando a importância dessa ferramenta digital no combate à violência contra a mulher.

Perfil dos usuários e agresssores: o que revelam os dados

Os dados coletados pelo Observatório Judicial da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher revelam que a maioria das solicitações vem de mulheres entre 21 e 40 anos, que representam 56,5% do total em 2026. Este dado reforça a vulnerabilidade dessa faixa etária diante da violência doméstica. Além disso, o perfil dos agressores é categorizado segundo suas características comportamentais: 38,1% são considerados violentos, 35,7% controladores e 26,3% manifestam ciúmes excessivos. Esses indicadores são fundamentais para direcionar políticas públicas e estratégias judiciais de acolhimento e proteção.

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O aumento das denúncias e pedidos de proteção também mostra maior conscientização das vítimas sobre seus direitos e sobre os canais disponíveis para buscar auxílio.

Entenda como funciona o maria da penha virtual

O Maria da Penha Virtual foi desenvolvido em 2020 por estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) como uma solução ágil para facilitar o acesso às medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. Diferentemente de outros aplicativos, não exige instalação, funcionando como um web app que pode ser acessado diretamente via link, o que aumenta a segurança e a discrição para a vítima.

No sistema, a mulher vítima de violência preenche um formulário detalhado, informando dados pessoais, características do agressor e descrição dos episódios agressivos. É possível anexar provas como fotos e áudios, dando suporte às denúncias. Após o preenchimento, o sistema gera automaticamente uma petição em PDF, que é enviada para o juizado competente. A vítima também pode acompanhar o andamento do pedido, garantindo transparência e maior autonomia.

Análise: impactos da digitalização no combate à violência doméstica

O crescimento expressivo do uso do Maria da Penha Virtual reflete não apenas o aumento da violência, mas também o amadurecimento do sistema judiciário e da sociedade na forma de enfrentá-la. A facilidade oferecida pela plataforma digital elimina barreiras tradicionais, como deslocamento e medo de exposição, que muitas vezes impedem as mulheres de buscar proteção.

Além disso, a ferramenta potencializa a agilidade no processamento das medidas protetivas, reduzindo os riscos imediatos para as vítimas. A possibilidade de anexar provas diretamente na petição contribui para maior robustez das denúncias, auxiliando a atuação judicial.

Contudo, é fundamental que o aumento dos pedidos seja acompanhado de investimentos em infraestrutura, capacitação dos servidores e políticas integradas de proteção e acolhimento. A tecnologia é uma aliada poderosa, mas não substitui o atendimento humano e as medidas efetivas de combate à violência.

Perspectivas futuras e desafios

Com uma média mensal de 459 pedidos no primeiro semestre de 2026, a expectativa é que até o final do ano haja um crescimento de quase 50% em relação a 2025. Esse cenário reforça a importância de ampliar o acesso a soluções digitais e de fortalecer as redes de apoio às mulheres.

Entretanto, o aumento da demanda impõe desafios operacionais para o TJRJ e demais órgãos envolvidos. É necessário garantir que os processos judiciais sejam ágeis e que as vítimas não fiquem desamparadas durante o trâmite. Parcerias com órgãos de segurança, assistência social e saúde são essenciais para um atendimento integral.

Por fim, a disseminação do conhecimento sobre o Maria da Penha Virtual precisa ser ampliada, especialmente em comunidades com menor acesso à internet e informações. Somente com uma estratégia abrangente será possível transformar os avanços tecnológicos em resultados concretos na luta contra a violência doméstica.

Referência: g1.globo.com

Revisado em 16 de setembro de 2026. Conteúdo revisado editorialmente antes da publicação.

Fontes consultadas: g1.globo.com

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