Lula e Trump discutem tarifaço e agronegócio na Malásia
Lula e Trump discutem tarifaço e agronegócio na Malásia em encontro marcado para 26 de outubro de 2025, em Kuala Lumpur. O agronegócio brasileiro acompanha de perto a reunião que pode redefinir tarifas sobre soja, carne e café exportados aos Estados Unidos.
Lula e Trump discutem tarifaço e agronegócio na Malásia
Durante um fórum em Ribeirão Preto, líderes do setor agropecuário apontaram que a “química” entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, percebida na Assembleia Geral da ONU no mês passado, será decisiva para destravar negociações. Segundo eles, o tarifaço criado por Trump encareceu produtos brasileiros e alimentou inflação nos EUA, pressionando a Casa Branca a buscar um acordo.
Na soja, a sobretaxa levou a China a substituir compras de produtores norte-americanos por lotes brasileiros. A mudança irritou o cinturão agrícola dos EUA e ampliou o lobby para reduzir tarifas, avaliaram painelistas presentes ao debate.
O café também sofre impacto direto. Torrefadoras nos Estados Unidos, habituadas a misturar grãos brasileiros, registram alta de custos, o que pode levar consumidores a trocar de marca. Representantes do setor alertam que recuperar mercado perdido seria “difícil e caro” caso o impasse persista.
No segmento de carnes, a restrição de acesso ao produto brasileiro já provoca queda na oferta interna norte-americana. Fontes próximas às conversas afirmam que o assunto está no centro da pauta de Kuala Lumpur.
Especialistas lembram que investigações abertas sob a Seção 301 do Trade Act de 1974 podem, paradoxalmente, abrir caminho para isentar parte das commodities brasileiras do tarifaço. Concessões mútuas, dizem, ganham força porque as taxas elevadas não reduziram o déficit fiscal dos EUA e, segundo dados oficiais, impulsionaram inflação e desemprego.
A expectativa é que Lula busque alinhar interesses brasileiros e chineses para pressionar Washington. De acordo com analistas ouvidos, a diplomacia tripartite tende a priorizar soluções econômicas práticas, deixando questões jurídicas para um segundo momento.
Imagem: André Passos
Segundo levantamento da Reuters, o agronegócio brasileiro abastece atualmente mais de um bilhão de pessoas no mundo, reforçando o peso das negociações para a segurança alimentar global.
Se houver avanço em Kuala Lumpur, produtores esperam redução de custos logísticos e retomada de contratos de longo prazo com compradores norte-americanos. No entanto, líderes setoriais alertam que uma decisão parcial pode apenas postergar o problema.
O resultado das conversas será acompanhado de perto nas próximas semanas. Para o setor, o tarifaço “vai passar”, mas a rapidez da solução determinará o tamanho das oportunidades perdidas ou recuperadas.
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Crédito da imagem: REUTERS/Brian Snyder e Agência Brasil/Rafa Neddermeyer













