Luis Fernando Veríssimo morre aos 89 e deixa legado literário
Luis Fernando Veríssimo morre aos 89 e deixa legado literário. O escritor e cronista gaúcho faleceu nesta sexta-feira, 30 de agosto de 2025, em Porto Alegre, encerrando uma trajetória iniciada na década de 1960 e marcada por mais de meio século de contribuição à literatura brasileira.
Luis Fernando Veríssimo morre aos 89 e deixa legado literário
Nascido em 1936, Veríssimo tornou-se referência em crônicas, contos e textos de humor, conquistando leitores entre 1960 e 2010. Filho de Erico Veríssimo (1905-1975), autor de clássicos como “O Continente” e “O Tempo e o Vento”, ele afirmava não discutir literatura em casa, o que o levou a publicar tardiamente, já depois dos 30 anos. Ainda assim, acompanhava o pai desde a máquina de escrever: “Eu lia as páginas assim que saíam e via as correções”, recordou em entrevista de 2012 ao jornal Zero Hora.
Mesmo com o silêncio literário entre pai e filho, a influência de Erico foi decisiva. Em conversa com Pedro Bial, Veríssimo contou ter lido os originais da trilogia O Tempo e o Vento antes da publicação. Questionado sobre a obra preferida de Erico, escolheu “O Continente” e destacou a personagem Luzia “por ser completamente deslocada”.
Fora das letras, pai e filho divergiam no futebol: enquanto Erico adotava o Grêmio, Luis Fernando era torcedor do Internacional, lembrando que em casa esse embate “não se discutia”.
A carreira de Veríssimo inclui títulos como “Comédias da Vida Privada” e colaborações em jornais de circulação nacional. Sua capacidade de traduzir o cotidiano com ironia rendeu prêmios e reconhecimento internacional, mencionado inclusive pela Enciclopédia Britannica como um dos principais cronistas contemporâneos do país.
Erico Veríssimo, por sua vez, faleceu em 28 de novembro de 1975, aos 70 anos, vítima de infarto. Entre suas distinções, recebeu em 1954 o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra, consolidando a tradição literária da família.
Imagem: Divulgação
Com a partida de Luis Fernando, críticos apontam que o Brasil perde uma voz singular capaz de combinar humor, leveza e crítica social. Sua obra permanece como ponto de referência para novos autores e leitores.
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Crédito da imagem: Divulgação/Unesp















