Lançamento de foguete no Brasil marca fase comercial
Lançamento de foguete no Brasil marca fase comercial em dezembro, quando o HANBIT-Nano, da sul-coreana Innospace, deve partir da Base de Alcântara, no Maranhão, na primeira missão orbital operada a partir do território nacional.
Lançamento de foguete no Brasil marca fase comercial
Batizada de Operação Spaceward, a missão é coordenada pela Força Aérea Brasileira (FAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB). A janela de decolagem foi fixada entre 17 e 22 de dezembro e envolverá cerca de 500 profissionais civis e militares brasileiros, além de técnicos sul-coreanos.
O foguete HANBIT-Nano tem dois estágios, 21 metros de altura e massa de 20 toneladas. Impulsionado pelo motor híbrido HyPER, que combina combustíveis sólido e líquido, o veículo pode atingir 30 mil km/h e colocar a carga em órbita em poucos minutos. O voo levará oito cargas úteis — cinco satélites e três experimentos — desenvolvidas por instituições do Brasil e da Índia para coleta de dados ambientais, aprimoramento de comunicações e testes de tecnologias de navegação.
Embora a Innospace seja responsável pelo foguete, toda a coordenação do lançamento — da autorização final ao rastreamento da trajetória — ficará a cargo das autoridades brasileiras. A FAB ativará um Centro de Controle horas antes do disparo e seguirá protocolos internacionais de segurança, interrompendo a contagem se qualquer parâmetro apresentar condição NO-GO.
A Base de Alcântara é considerada estratégica pela proximidade de apenas 2,3° da Linha do Equador, fator que reduz o consumo de combustível e amplia as opções de órbita. Apesar dessas vantagens, o local ficou subutilizado por décadas, principalmente após o acidente de 2003 com o VLS e por impasses fundiários com comunidades quilombolas. Nos últimos anos, acordos como o de Salvaguardas Tecnológicas com os Estados Unidos (2019) e o termo de conciliação territorial (2024) removeram barreiras a operações comerciais.
Especialistas veem no lançamento do HANBIT-Nano um passo decisivo para inserir o país no mercado global de lançamentos, estimado em mais de US$ 10 bilhões anuais, segundo dados da Nasa. Caso a missão seja bem-sucedida, Alcântara poderá atrair novos contratos, gerar divisas e fortalecer a cadeia aeroespacial nacional.

Imagem: Innospace
Com a contagem regressiva já programada, o Brasil se prepara para demonstrar capacidade técnica e logística em uma operação orbital inédita. Se o cronograma for mantido, o HANBIT-Nano abrirá caminho para que a base maranhense se torne um polo comercial de lançamentos regulares.
Quer acompanhar outras movimentações que impactam o país? Visite a editoria Brasil e continue informado sobre ciência, economia e sociedade.
Crédito da imagem: Innospace / Sgt Vanessa Sonaly (FAB)















