Juros dos empréstimos seguem altos apesar da Selic
Juros dos empréstimos seguem altos apesar da Selic e uma leitura detalhada dos dados do Banco Central (BC) mostra por quê: o Indicador de Custo de Crédito (ICC) revela que, mesmo quando a taxa básica cai, o spread bancário pouco recua, mantendo o crédito caro para famílias e empresas.
Juros dos empréstimos seguem altos apesar da Selic
Levantamento da série histórica do ICC, de janeiro de 2013 a fevereiro de 2026, confirma o problema estrutural. Nos piores momentos, como fevereiro de 2017, o spread para pessoas físicas atingiu 21,21 pontos percentuais; no melhor, em dezembro de 2020, ainda foi de 16,5 p.p. Entre as empresas, o intervalo variou de 8,09 a 5,90 p.p. Nada abaixo de 6 p.p., demonstrando um piso elevado.
A principal razão está no patamar historicamente alto da Selic. Quando o BC iniciou o ciclo de afrouxamento em 2024, reduzindo o custo de captação dos bancos de 22% para 20% ao ano, as taxas finais de crédito permaneceram perto de 30% ao ano. Em fevereiro de 2026, por exemplo, os bancos captavam a 24,88% e emprestavam a 32,96% ao ano; o spread divulgado, 1% ao mês, converte-se em cerca de 12% ao ano.
A dinâmica é assimétrica: aumentos na Selic são repassados rapidamente, mas quedas chegam ao consumidor em ritmo lento e incompleto. A forte concentração bancária — cinco instituições detêm cerca de 80% dos ativos — reforça esse comportamento oligopolista e garante margem confortável mesmo em cenário de maior competição trazida por fintechs e open finance.
Estudos de universidades como FGV e IBRE apontam que inadimplência, custos regulatórios e impostos compõem o spread, mas a margem líquida segue relevante. Entre 2020 e 2021, a breve redução do spread coincidiu com a Selic em 2% ao ano; tão logo a taxa voltou a dois dígitos, o custo do crédito acompanhou, superando 30% ao ano.
Enquanto a demanda por financiamento continuar pouco sensível ao preço — especialmente em modalidades como cheque especial, cartão rotativo e crédito pessoal —, a tendência é de manutenção de juros elevados, limitando consumo e investimento mesmo em ciclos de flexibilização monetária.

Imagem: Einar Rivero
No curto prazo, especialistas avaliam que apenas um recuo mais prolongado da Selic, aliado a maior concorrência efetiva, poderia reduzir de forma consistente o spread e aliviar o bolso do tomador.
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Crédito da imagem: Sidney de Almeida















