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James Watson morre aos 97 anos, co-descobridor do DNA

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James Watson morre aos 97 anos, co-descobridor do DNA

James Watson morre aos 97 anos, co-descobridor do DNA, encerrando uma trajetória que revolucionou a biologia ao revelar a estrutura de dupla hélice em 1953 e rendeu um Nobel em 1962.

James Watson morre aos 97 anos, co-descobridor do DNA

O geneticista norte-americano James Dewey Watson faleceu em cuidados paliativos, após breve enfermidade, conforme informou seu filho Duncan. Nascido em Chicago em 6 de abril de 1928, Watson tinha apenas 24 anos quando, ao lado de Francis Crick e com dados de Maurice Wilkins e Rosalind Franklin, descreveu que o DNA possui duas fitas enroladas como uma escada retorcida. A descoberta revelou a forma como a informação hereditária é armazenada e copiada, influenciando medicina, genealogia, investigações criminais e debates éticos que persistem até hoje.

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Watson dividiu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1962 com Crick e Wilkins e nunca repetiu um feito laboratorial tão impactante. Ainda assim, escreveu livros-texto influentes, dirigiu o projeto federal que traçou o mapa do genoma humano entre 1988 e 1992 e comandou por quase quatro décadas o Cold Spring Harbor Laboratory, em Nova York.

O cientista manteve forte atuação pública, mas sua imagem foi abalada por declarações consideradas racistas. Em 2007, ele afirmou ao Sunday Times Magazine que a inteligência de pessoas negras seria inferior, comentário que gerou condenação internacional e sua suspensão do cargo de chanceler do laboratório. Em 2019, num documentário, reiterou a visão e perdeu títulos honorários.

Mesmo envolto em polêmicas, Watson usou prestígio para impulsionar pesquisas sobre câncer e ética genética. Seu interesse pessoal na área aumentou quando o filho Rufus foi internado com suspeita de esquizofrenia; o pai acreditava que o sequenciamento completo do DNA ajudaria a compreender a doença.

Segundo o National Institutes of Health, o modelo de dupla hélice figura entre os maiores marcos da ciência, ao lado da teoria da evolução de Darwin e das leis de Mendel. A influência cultural de Watson chegou a selos britânicos, telas de Salvador Dalí e campanhas da Apple, tornando a hélice um ícone reconhecido globalmente.

Legado à parte, Watson lecionou em Harvard, reorganizou a biologia molecular na universidade e chegou a leiloar sua medalha do Nobel em 2014 por US$ 4,7 milhões—o comprador a devolveu posteriormente. Seus companheiros de Nobel, Crick e Wilkins, morreram em 2004.

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Crédito da imagem: The Associated Press

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