INSS retira relatório sobre descontos indevidos a aposentados
INSS retira relatório sobre descontos indevidos a aposentados. O Instituto Nacional do Seguro Social tirou do ar o documento de auditoria que revelava a liberação, em 22 de setembro de 2022, de 30.211 benefícios para permitir descontos em folha em favor da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), sem comprovação de autorização dos segurados.
INSS retira relatório sobre descontos indevidos a aposentados
Segundo o relatório, a Coordenação-Geral de Pagamentos de Benefícios (CGPAG), vinculada à Diretoria de Benefícios do INSS, solicitou à Dataprev o desbloqueio em lote dos benefícios. A medida abriu caminho para que outras entidades conveniadas também passassem a descontar mensalidades, ampliando o alcance do esquema investigado pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) na Operação Sem Desconto.
Os auditores apontaram que aposentados e pensionistas relataram ter sido induzidos a assinar documentos sem clareza sobre os descontos. Até maio de 2025, quase 3 mil beneficiários pediram exclusão das cobranças e mais de 3,3 mil apresentaram contestações formais, muitas delas rejeitando os argumentos apresentados pela Contag.
A investigação estima que, desde 2019, a entidade recebeu R$ 2,6 bilhões provenientes de repasses retirados diretamente dos benefícios: R$ 1,6 bilhão durante o governo Bolsonaro e R$ 1 bilhão no governo Lula, até a suspensão determinada após a Operação Sem Desconto. Parte dos recursos teria sido enviada a empresas suspeitas, inclusive um bufê de Brasília registrado em endereço fechado, levantando indícios de lavagem de dinheiro.
O caso impactou a cúpula da Previdência: o então ministro Carlos Lupi e o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, deixaram os cargos, e outros servidores foram afastados. A Polícia Federal investiga se houve enriquecimento ilícito envolvendo dirigentes do INSS e da Contag.
Imagem: Internet
Em nota, o INSS afirmou que a publicação do relatório foi “falha de procedimento”, pois o documento não estaria concluído, e declarou que seu conteúdo “não tem valor institucional”. Até o momento, a Contag não se manifestou. A CGU e a PF prosseguem nas apurações, enquanto especialistas defendem maior transparência nos descontos em folha para proteger aposentados. Informações adicionais sobre a investigação podem ser conferidas no site da Controladoria-Geral da União.
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Crédito da imagem: Agência Estado















