Independência da Groenlândia volta ao debate após EUA
Independência da Groenlândia volta ao debate após EUA após as ameaças do ex-presidente norte-americano Donald Trump de adquirir o território, reabrindo discussões sobre soberania entre os 57 mil habitantes, 90% deles inuítes.
Independência da Groenlândia volta ao debate após EUA
Aqqaluk Lynge, cofundador do partido pró-independência Inuit Ataqatigiit e ex-presidente do Inuit Circumpolar Council, lembra que a proposta norte-americana expôs globalmente a questão. Para ele, o modelo atual — autonomia interna aliada a repasses da Dinamarca — “oferece o melhor dos dois mundos”. Desde 2008, o inuíte kalaallisut é língua oficial, e o parlamento local controla educação, meio ambiente, pesca e receitas de minérios e petróleo.
No entanto, a ideia de separar-se do Reino da Dinamarca balança. Pesquisa realizada em janeiro pelo jornal The Copenhagen Post revelou que 62% dos groenlandeses preferem permanecer ligados a Copenhague, contra um levantamento de 2023 no qual 56% defendiam a independência. A legislação de 2009 autoriza a realização de referendo a qualquer momento, mas a consulta nunca ocorreu.
Moradores de Nuuk sentem o impasse. A pensionista Arnanguak Stork critica a narrativa oficial: “Os políticos falam como se representassem todos nós. Não concordamos”. Ela teme que a união demonstrada por Dinamarca e Groenlândia diante das ameaças dos EUA oculte a luta indígena por soberania.
O alto custo de vida também alimenta o debate. A mãe solo Dorthe Qvist relata dificuldade para encontrar moradia acessível na capital, mas mantém o sonho de um governo plenamente inuíte: “Trabalho bem com a Dinamarca hoje, mas quero conquistar a independência no futuro”.
Estudos apontam feridas coloniais ainda abertas. Relatório de 2023 do Relator Especial da ONU sobre Direitos dos Povos Indígenas cobrou reparações por realocações forçadas, esterilizações e separações familiares. A BBC informou que o documento pede consultas mais inclusivas aos inuítes na elaboração de leis e políticas nacionais. informou a BBC.

Imagem: Internet
Apesar de todos os partidos groenlandeses apoiarem a ruptura, divergem sobre o ritmo. Para Stork, que divide apartamento com a filha adulta por falta de renda, a urgência é pessoal: “Quero sentir a independência ainda em vida”. Mas a dependência financeira dos subsídios dinamarqueses — essenciais para programas sociais — mantém parte da população cautelosa.
Se o plebiscito sairá do papel continua incerto. O que já é visível é a volta da independência da Groenlândia ao centro da agenda, pressionada tanto por fatores externos quanto pelo desejo interno de autogestão.
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Crédito da imagem: Braden Latam/Global News















