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Importunação sexual em Juiz de Fora resiste à lei federal

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Importunação sexual em Juiz de Fora resiste à lei federal

Importunação sexual em Juiz de Fora resiste à lei federal continua vitimando principalmente mulheres e crianças: de janeiro a outubro de 2025, 81 ocorrências foram registradas na cidade, seis delas dentro de ônibus urbanos.

Importunação sexual em Juiz de Fora resiste à lei federal

Apesar de a Lei 13.718/2018 prever reclusão de um a cinco anos para quem pratica ato libidinoso sem consentimento, os números mostram que a medida ainda não freou os abusadores. Na 4ª Região Integrada de Segurança Pública, que reúne Juiz de Fora e outras 86 cidades, foram 199 casos entre janeiro e outubro deste ano; nove aconteceram dentro de coletivos. Em todo o estado de Minas Gerais, o Observatório da Segurança Pública contabilizou 3.610 ocorrências no mesmo período, sendo 92 em ônibus ou micro-ônibus.

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Os relatos impressionam pela ousadia. No dia 7 de novembro, passageiras da linha 514 denunciaram um aposentado de 73 anos que esfregava o corpo numa analista de sistemas de 25. O motorista parou o veículo, acionou o Centro de Controle Operacional e chamou a Polícia Militar. O suspeito foi levado à delegacia, enquanto a vítima, em choque, recebeu apoio da PM.

Na véspera, uma menina de 11 anos sofreu abordagem semelhante na linha 735. Um idoso de 86 anos mostrou a língua, mexeu no zíper e fez gestos obscenos para atrair a criança. Passageiros intervieram e o motorista deteve o homem até a chegada dos militares, que efetuaram a prisão em flagrante.

Levantamento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública indica 34 ataques dentro de ônibus em Juiz de Fora entre 2020 e 2024, cerca de 9% das 374 importunações sexuais registradas no município nesse intervalo. Na 4ª Risp, foram 43 depoimentos dentro de coletivos, o equivalente a 4,4% das 974 ocorrências.

A violência extrapola o transporte coletivo. Em 21 de setembro, uma jovem de 23 anos relatou que o motociclista de aplicativo que a levava mudou o trajeto, exibiu o órgão genital e fez proposta sexual. Ele foi reconhecido e preso; a plataforma de corridas o baniu.

Diante da persistência dos crimes, especialistas reforçam a importância de denunciar imediatamente. A vítima ou testemunha pode ligar para o 190, procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher ou acionar o 180, canal nacional de apoio. Motoristas de ônibus em Juiz de Fora recebem treinamento para parar o veículo, travar as portas e chamar a polícia sempre que um passageiro relatar importunação.

No âmbito preventivo, o Consórcio Via JF mantém a campanha “O ônibus é coletivo. Meu corpo, não”, que distribui materiais informativos e orienta usuários sobre como agir em caso de assédio. A empresa ressalta que o transporte deve ser espaço seguro para todos.

Importunação sexual é crime, não “brincadeira” ou “cantada”. Se presenciar ou sofrer abuso, denuncie e busque apoio. Para acompanhar mais reportagens sobre segurança pública e direitos das mulheres, visite a editoria Brasil do portal e informe-se.

Crédito da imagem: Leonardo Costa

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