Impacto de asteroide gera vidros cósmicos raros na Austrália
Impacto de asteroide gera vidros cósmicos raros na Austrália há cerca de 11 milhões de anos produziu minúsculas esferas de vidro natural, batizadas de ananguites, agora identificadas por uma equipe das universidades Curtin, na Austrália, e Aix-Marseille, na França.
Impacto de asteroide gera vidros cósmicos raros na Austrália
Os ananguites integram a rara família dos tektites, materiais formados quando um asteroide atinge o solo com energia suficiente para fundir rochas e arremessar o material derretido a grandes altitudes. Ao retornar à superfície e resfriar, o líquido se cristaliza em esferas vítreas que preservam assinaturas químicas do evento cósmico.
Sexto campo de tektites no planeta
Até então, a ciência reconhecia cinco campos de tektites: Europa, América do Norte, Costa do Marfim, América Central e o vasto campo australasiano. A descoberta das ananguites inaugura o sexto campo mundial e o primeiro totalmente australiano, ampliando o registro de grandes impactos na história geológica recente.
Composição incomum e datação precisa
Análises geoquímicas mostram que as esferas possuem menor teor de sílica e concentrações elevadas de ferro, cálcio e magnésio, características que não coincidiam com nenhum outro vidro de impacto catalogado. Técnicas modernas de datação por isótopos de argônio fixaram a idade média das amostras em 10,76 milhões de anos, comprovando que o fenômeno é independente do famoso campo australasiano, datado de 780 mil anos.
Cratera de origem continua desconhecida
Apesar da evidência do impacto, a cratera responsável ainda não foi localizada. Dados isotópicos sugerem que o evento pode ter ocorrido em um arco vulcânico do Pacífico, próximo a Luzon, Sulawesi ou Papua-Nova Guiné, lançando fragmentos a milhares de quilômetros sobre o centro-sul da Austrália. A erosão e a atividade vulcânica podem ter ocultado os vestígios originais.
Risco futuro e importância científica
Para o geocronólogo Fred Jourdan, da Curtin University, cada novo campo de tektites funciona como uma “cápsula do tempo microscópica”, essencial para estimar a frequência de grandes colisões e aperfeiçoar estratégias de defesa planetária. A relevância do tema é reforçada pelos estudos de proteção global conduzidos pela NASA, que monitoram objetos próximos da Terra.

Imagem: Triff
Descobertas como a das ananguites demonstram que episódios de enorme energia podem permanecer ocultos por milhões de anos, ressaltando a necessidade de pesquisas contínuas sobre impactos cósmicos e sua influência na evolução do planeta.
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Crédito da imagem: Triff/Shutterstock















