Ibovespa precisa subir 236% para voltar à média, diz SFA
Ibovespa precisa subir 236% para retomar seu desempenho médio histórico, segundo análise divulgada pela gestora SFA. No relatório, a casa afirma que o suposto favoritismo da renda fixa sobre a renda variável é fruto de “um mito estatístico” sustentado por janelas de tempo e índices inadequados.
Ibovespa precisa subir 236% para voltar à média, diz SFA
No documento, a SFA revisita quase seis décadas de dados e conclui que, corrigido pela inflação ou em dólar, o mercado acionário brasileiro entregou equity risk premium consistente. Desde 1967, o Ibovespa apresentou retorno real anual de 6%, contra 4,4% do CDI. Em dólar, a performance do índice foi de 10,2% ao ano, praticamente empatada com os 10,9% do S&P 500.
O estudo mostra que o período de 2004 a 2024, quando o CDI superou o Ibovespa, representa uma exceção. “Os últimos 20 anos parecem uma anomalia, não uma nova regra”, diz a carta. Para demonstrar a distorção, a gestora utiliza o IBrX — índice ponderado por valor de mercado — que, desde 1995, rendeu 6,7% reais ao ano, superando os 5,6% do CDI e os 4,6% do Ibovespa.
Ao projetar o retorno à média histórica, a SFA calcula que o Ibovespa teria de avançar 86% apenas para recuperar a mediana e 236% — até cerca de 515 mil pontos — para reencontrar a média de longo prazo. A gestora alerta ainda para a possibilidade de forte repricing caso o fluxo de investidores migre novamente para ações, lembrando que o mercado atual não dispõe de volume suficiente para absorver a demanda.
Além da comparação com o CDI, o relatório cita o levantamento da Reuters sobre índices globais para reforçar que, internacionalmente, ações superam títulos no horizonte de várias décadas. No Brasil, o gap de renda variável foi ofuscado por altas taxas de juros e choques macroeconômicos, mas permanece quando se corrigem distorções metodológicas.
Mesmo reconhecendo que o investidor em bolsa enfrentou dois decênios “muito ruins”, a SFA observa que o retorno real médio de 7,6% ao ano em janelas móveis de 20 anos continua atraente. O tempo, afirma a carta, segue sendo “o maior aliado do investidor” disposto a suportar volatilidade.

Imagem: Renan Dantas
No curto prazo, fatores como política monetária e fluxo estrangeiro continuam determinantes, mas a gestora considera que a recente recuperação do índice — em máximas nominais, embora longe do pico real de 2007 — pode ser apenas o início de um ciclo de reprecificação.
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Crédito da imagem: REUTERS/Amanda Perobelli














