Ibovespa cai 4% e tem maior tombo em 5 anos; dólar sobe
Ibovespa cai 4% e tem maior tombo em 5 anos; dólar sobe marca a forte aversão ao risco desta sexta-feira (5). O índice encerrou a sessão em queda de 4,31%, aos 157.369,36 pontos, apagando mais de 7 mil pontos desde o pico intradiário de 165 mil e registrando a maior retração percentual desde fevereiro de 2021.
Contexto do pregão
Logo pela manhã, o Ibovespa renovou recorde nominal, mas o movimento se inverteu após o almoço. Ordens de venda ampliaram-se e o índice perdeu todos os ganhos semanais, acumulando baixa de 1,07% nos últimos cinco dias.
Reação ao cenário político
A virada ocorreu quando circulou a possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) disputar a Presidência em 2026, com aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília por tentativa de golpe de Estado. Analistas avaliaram que o anúncio esvazia a candidatura de Tarcísio de Freitas e eleva incertezas sobre governabilidade e ajuste fiscal depois de 2027. Segundo Christian Iarussi, economista da The Hill Capital, o Brasil “descolou” de bolsas externas, que permaneciam em leve alta.
Desempenho das ações
Apenas quatro papéis subiram: WEG (WEGE3), Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11) — favorecidas pela alta do dólar — e Braskem (BRKM5), apoiada na expectativa de venda da fatia da Novonor. Na ponta oposta, Yduqs (YDUQ3), Cyrela (CYRE3) e Azzas 2154 (AZZA3) recuaram mais de 10%, pressionadas pelos juros futuros, cujas taxas saltaram mais de 40 pontos-base.
O bloco bancário também sofreu: a perda combinada superou R$ 50 bilhões em valor de mercado, refletindo o aumento da percepção de risco doméstico.
Mercados internacionais e câmbio
Enquanto o Ibovespa despencava, Wall Street avançava. O Dow Jones subiu 0,22%, o S&P 500 ganhou 0,19% e o Nasdaq, 0,31%, impulsionados por dados do PCE que reforçaram apostas de corte de juros pelo Federal Reserve. Na Europa, o Stoxx 600 fechou praticamente estável, e na Ásia os índices tiveram direções mistas.
Imagem: Liliane de Lima
No câmbio, o dólar à vista disparou 2,29% e encerrou a R$ 5,4318, acumulando alta semanal de 1,82%. Para o economista consultado pela Reuters, o movimento reflete busca por proteção diante da volatilidade política.
O susto eleitoral devolveu o Ibovespa ao patamar de outubro e acendeu o alerta sobre os próximos capítulos em Brasília. Acompanhe as atualizações de mercado na editoria Brasil do Minas Informa e fique por dentro dos desdobramentos.
Crédito da imagem: iStock/Lemon_tm














