Guerra de preços: Abrasorvete acusa multinacionais de sorvetes
Guerra de preços: Abrasorvete acusa multinacionais de sorvetes marca o novo embate no mercado brasileiro, após a entidade que representa mais de 10 mil empresas do setor notificar a Froneri Brasil, joint venture da Nestlé, e apontar preocupações idênticas em relação à Kibon, da Unilever. Segundo a Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (Abrasorvete), as gigantes globais estariam praticando valores abaixo do custo de produção e impondo contratos de exclusividade que limitam a competição.
Guerra de preços: Abrasorvete acusa multinacionais de sorvetes
Denúncia sobre preços irreais
Entidades estaduais do Ceará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Espírito Santo relataram que potes de 1,5 litro chegam às gôndolas por menos de R$ 9, cerca de um terço do preço médio praticado por fabricantes nacionais. Em ofício enviado em 3 de dezembro de 2025, a Abrasorvete argumenta que tais valores “não cobrem sequer custo médio de produção e distribuição” e configuram possível prática anticoncorrencial.
O presidente da associação, Martin Eckhardt, afirma que a competição saudável depende de condições de mercado justas. “Quando uma multinacional vende abaixo do custo, não está competindo, mas sufocando o setor para dominar o mercado depois”, declarou.
Exclusividade nos pontos de venda
Além dos preços, sindicatos regionais denunciam pagamentos de até R$ 20 mil a pequenos estabelecimentos, como padarias, para garantir exclusividade de freezers e bloquear concorrentes locais. A Abrasorvete alerta que a estratégia ameaça mais de 270 mil empregos diretos e indiretos num mercado composto majoritariamente por empresas familiares.
Auditoria nacional e aguardo de respostas
A entidade criou uma comissão técnica interna para auditar contratos e políticas de preços em todo o país. Caso encontrem indícios de infração, a documentação será encaminhada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável por investigar práticas anticoncorrenciais no Brasil.
Nestlé, por meio da Froneri, e Unilever ainda não se pronunciaram, apesar de terem sido notificadas há 14 dias. A Abrasorvete reforça que a ausência de posicionamento motivou a divulgação pública dos fatos e aguarda explicações para “restabelecer a competição livre e sustentável”.

Imagem: Internet
O setor de sorvetes enfrenta, assim, um momento decisivo: o resultado desse embate poderá redefinir as regras de concorrência e o futuro de milhares de pequenos produtores brasileiros.
Para acompanhar os desdobramentos dessa investigação e outras pautas econômicas, visite nossa editoria de Brasil e fique por dentro.
Crédito da imagem: Assessoria de Imprensa Abrasorvete















