Greve dos caminhoneiros é negada, mas Salvador terá ato
Greve dos caminhoneiros em âmbito nacional foi descartada por entidades que representam transportadores autônomos, apesar de uma paralisação de 24 horas anunciada para o porto de Salvador a partir da madrugada desta quinta-feira (13).
Entidades rejeitam greve nacional e defendem diálogo
Associações como a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) e o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) refutam qualquer indicativo de mobilização ampla. Os dirigentes afirmam que, diante da escalada de preços do diesel — impulsionada pelo conflito no Oriente Médio —, uma paralisação geral impactaria negativamente a economia e a sociedade.
Segundo o presidente da Abrava, Wallace Landim, o Chorão, o valor do diesel subiu de 25% a 26% nos últimos dez dias, com incremento médio de R$ 1,64 por litro. “Parar o país agora seria irresponsável. Buscamos redução de ICMS e revisão dos pedágios, mas sem comprometer o abastecimento”, afirmou.
Foco local: 24h de protesto no porto de Salvador
O único movimento confirmado ocorre na capital baiana. A Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB) convoca caminhoneiros para bloquear o acesso ao porto de Salvador por um dia, podendo estender o protesto caso as reivindicações não sejam atendidas. Entre elas estão:
- Reversão de nova regra de triagem que acrescenta 10 a 15 km à rota interna do contêiner;
- Julgamento da constitucionalidade do piso mínimo do frete pelo STF;
- Alteração da política de preços da Petrobras para combustíveis;
- Isenção de pedágio para eixo erguido quando o veículo estiver vazio.
Para José Roberto Stringasci, presidente da ANTB, a medida de triagem “dobrará o tempo de estadia no porto e onera o transportador que já lida com diesel acima de R$ 8 por litro na região”. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele alerta que operações de carga e descarga ficarão comprometidas durante o ato.
Risco de paralisações pontuais permanece
Embora não prevejam greve nacional, as entidades admitem a possibilidade de protestos regionais liderados por grupos independentes. Uma reunião já está marcada para segunda-feira (16) no Porto de Santos a fim de avaliar o cenário e evitar expansão de bloqueios.

Imagem: Estadão Cteúdo
Especialistas do setor lembram que movimentos descoordenados podem afetar rapidamente cadeias logísticas e pressionar inflação. Reportagem da Reuters ressalta que o Brasil depende do transporte rodoviário para escoar 65% das mercadorias internas, o que amplia a sensibilidade do mercado a qualquer interrupção.
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Crédito da imagem: REUTERS/Roosevelt Cassio















