Greve dos caminhoneiros eleva taxas DI e pressiona mercado
Greve dos caminhoneiros volta ao radar dos investidores e provocou forte mudança de humor no pregão desta terça-feira (17), apagando o alívio matinal e empurrando as taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) para os maiores patamares do dia.
Preços do diesel disparam e alimentam temores inflacionários
Caminhoneiros de várias regiões articulam paralisação nacional em protesto contra a alta do óleo diesel. Desde 28 de fevereiro, o preço médio do diesel S-10 subiu 18,86%, segundo o painel ValeCard, enquanto o diesel comum avançou mais de 22%. A escalada acompanha a tensão gerada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que encareceu o barril de petróleo no mercado internacional. Gasolina e etanol também ficaram mais caros, com altas de 10% e 9%, respectivamente.
DI vira no meio do pregão
Após tocar mínima de 13,975% pela manhã, a taxa do DI para janeiro de 2027 saltou à máxima de 14,245% no meio da tarde, encerrando a 14,135%, sete pontos-base acima do ajuste anterior. No trecho longo, o contrato para janeiro de 2035 fechou a 13,785%, dois pontos-base mais alto. O movimento ocorreu mesmo após duas intervenções do Tesouro Nacional para suavizar distorções na curva.
Bolsa perde fôlego e Treasuries pouco se mexem
O Ibovespa chegou a tocar 182,8 mil pontos, mas devolveu parte dos ganhos e terminou com alta modesta de 0,3%, a 180,4 mil pontos. Nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de dois anos encerrou virtualmente estável, em 3,678%, enquanto o papel de dez anos recuou a 4,200%.
Governo aposta em fiscalização rígida e negociação
Para conter o movimento, a administração federal acionou Agência Nacional do Petróleo, Polícia Federal e Procons em nove estados e no Distrito Federal. As ações são amparadas pela Medida Provisória 1340, que prevê multas de até R$ 500 milhões para aumentos abusivos ou recusa de venda. Em paralelo, a Agência Nacional de Transportes Terrestres prepara medidas para garantir o piso mínimo do frete.

Imagem: Kaype Abreu
Na semana passada, o governo zerou PIS/Cofins sobre o diesel, instituiu subvenção a distribuidores e aplicou imposto sobre exportação de petróleo. Mesmo assim, a Petrobras reajustou o diesel A em 11,6% em suas refinarias. Especialistas consultados pela Reuters avaliam que novas reduções dependem do cenário externo.
Em síntese, o risco de paralisação dos caminhoneiros elevou a percepção de inflação, pressionou juros futuros e limitou o avanço da bolsa. Acompanhe outros desdobramentos na editoria Brasil e fique por dentro dos próximos movimentos do mercado.
Crédito da imagem: Pixabay/marin_mnm















