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Fundo do mar se abrindo: cientistas registram evento inédito

Fundo do mar se abrindo: cientistas registram evento inédito

Fundo do mar se abrindo: pesquisadores observaram em tempo real a crosta oceânica se separar na Cordilheira Sudeste-Indiana, entre as placas Antártica e Australiana, em abril de 2024.

Fundo do mar se abrindo: cientistas registram evento inédito

O estudo, divulgado nesta semana pela revista Nature, descreve a primeira documentação direta de uma fenda submarina liberando magma ao vivo. Em questão de dias, o assoalho oceânico afastou-se pelo menos dois metros, aliviando entre três e seis décadas de estresse tectônico acumulado na região do Oceano Índico.

Durante o fenômeno, cerca de 160 milhões de metros cúbicos de lava foram expelidos. O colapso do reservatório magmático fez trechos do leito afundarem até 4,2 metros, magnitude que surpreendeu a equipe liderada pelo geofísico marinho Jean-Yves Royer, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França. “Esperávamos deslocamentos de poucos centímetros”, afirmou Royer em comunicado.

A captura dos dados só foi possível porque, dois meses antes, os cientistas instalaram o observatório subaquático OHA-GEODAMS em um segmento de 100 quilômetros próximo à Ilha de São Paulo (Île Saint-Paul). A rede contém cinco hidrofones para registrar ondas sísmicas, sensores de pressão calibrados para medir variações verticais e 15 sinalizadores acústicos que trocam sinais a cada quatro horas para rastrear mudanças horizontais entre as placas.

Os instrumentos revelaram que, a partir de 26 de abril de 2024, o acúmulo de magma de alta pressão abriu caminho entre as camadas rochosas, desencadeando tremores e levando ao esvaziamento da câmara magmática. O sistema de monitoramento permanecerá ativo até 2027, permitindo acompanhar a recorrência e a dinâmica de erupções nas dorsais meso-oceânicas — responsáveis pela formação de nova crosta que cobre quase dois terços da superfície terrestre.

Para a geocientista Isobel Yeo, do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido, entender a frequência e a magnitude desses processos é essencial para refinar modelos de evolução do planeta. Apesar de seu papel chave, ela ressalta que “ainda sabemos surpreendentemente pouco” sobre as cordilheiras meso-oceânicas.

Este flagrante do fundo do mar se abrindo amplia o conhecimento sobre a interação entre placas tectônicas e oferta dados inéditos sobre erupções submarinas de larga escala.

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Crédito da imagem: Francis Letourmy/Wikimedia Commons