Ford BlueCruise: distração precede colisões fatais, diz NTSB
Ford BlueCruise: distração precede colisões fatais, diz NTSB Motoristas que utilizavam o sistema de condução semiautônoma da Ford estavam desatentos nos segundos que antecederam dois acidentes mortais registrados em 2024, conforme documentos divulgados pelo National Transportation Safety Board (NTSB).
Ford BlueCruise: distração precede colisões fatais, diz NTSB
Os relatórios tornados públicos nesta quarta-feira (11) antecedem audiência marcada para 31 de março, em Washington, quando o NTSB deverá apresentar conclusões e possíveis recomendações à montadora. A agência, embora sem poder regulatório, investiga acidentes de transporte nos Estados Unidos e costuma influenciar futuras normas.
Em paralelo, a National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) abriu inquérito depois de identificar falhas do Ford BlueCruise na detecção de veículos parados. A reguladora enviou extenso questionário à empresa em junho de 2025 e segue analisando as respostas.
No primeiro acidente, em 24 de fevereiro de 2024, um Mustang Mach-E 2022 colidiu a 119 km/h com um Honda CR-V 1999 estacionado na faixa central da Interestadual 10, em San Antonio (Texas). O motorista do SUV elétrico sofreu ferimentos leves; o condutor do Honda morreu. Dados do monitoramento por câmeras mostram que o condutor do Ford fixou os olhos na tela de infoentretenimento por quase todo o tempo nos cinco segundos antes do impacto; ele só desviou o olhar para a via por breves momentos, 3,6 s e 1,6 s antes da batida. Dois alertas visuais e sonoros foram ignorados e o freio não foi acionado.
Já em 15 de março de 2024, na Filadélfia, a motorista Dimple Patel, 23 anos, dirigia outro Mach-E 2022 a 116 km/h numa zona de obras limitada a 72 km/h quando atingiu um Hyundai Elantra 2012 parado na Interestadual 95. O Elantra colidiu com um Toyota Prius 2006; os motoristas dos dois carros morreram. Patel, levemente ferida, estava alcoolizada e foi denunciada por homicídio no fim de 2024. O sistema registrou seus olhos voltados à pista por cinco segundos completos, mas imagem capturada dois segundos antes sugere possível sonolência ou distração.
A Ford reafirma que o BlueCruise é “um recurso de comodidade”, exigindo atenção total do condutor e pronta intervenção humana. A montadora ressalta que o sistema não substitui alertas de colisão nem dirige de forma autônoma.

Imagem: Jathan Weiss
A audiência do NTSB deverá ampliar o debate sobre a responsabilidade das fabricantes na comunicação das limitações dos assistentes de direção e sobre novas salvaguardas para evitar a distração ao volante, problema recorrente também em tecnologias rivais, como o Autopilot da Tesla.
As conclusões finais do órgão são esperadas semanas após o encontro e podem influenciar futuras exigências para sistemas semiautônomos vendidos nos EUA e, por consequência, em outros mercados.
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Crédito da imagem: Jonathan Weiss/Shutterstock















