FNAC não pode distorcer concorrência, alerta Latam
FNAC não pode distorcer concorrência, alerta Latam — A Latam Brasil vê o Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) como passo relevante para resolver o crônico problema de financiamento no setor aéreo, mas adverte que o instrumento não pode beneficiar apenas parte do mercado nem alterar a competição.
FNAC não pode distorcer concorrência, alerta Latam
Durante coletiva de imprensa, o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, reconheceu que a criação do FNAC atende a uma necessidade histórica das companhias aéreas, pressionadas por margens reduzidas e custos elevados. Mesmo assim, ele afirmou que o desenho em debate “não é atrativo para as três grandes empresas” e, se mal calibrado, corre o risco de provocar “distorções competitivas”.
Segundo Cadier, Gol, Azul e Latam atravessam momentos operacionais distintos, exigindo soluções também distintas. “São três companhias com necessidades e expectativas diferentes”, enfatizou. Por isso, qualquer linha de crédito ou garantia pública deve ser estruturada de modo a não favorecer um grupo específico, sob pena de afastar investimentos privados e influenciar decisões estratégicas.
A preocupação se soma ao contexto de forte disputa por mercado no Brasil. Para o executivo, “o FNAC não pode atender apenas um ou dois operadores brasileiros”. Ele defende equilíbrio de condições para garantir que todas as empresas ampliem frota, rotas e serviços sem intervenção desigual do Estado.
Mesmo crítico, Cadier manteve tom construtivo: “Vemos a iniciativa com bons olhos”, disse, abrindo espaço para ajustes que tornem o fundo efetivo e neutro. A companhia, que encerrou 2025 com lucro recorde de US$ 1,46 bilhão e prevê receber 41 novos aviões em 2026, sinaliza disposição de participar das discussões técnicas.
O debate ocorre paralelamente a outras frentes regulatórias, como a revisão de tarifas aeroportuárias conduzida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), reforçando a necessidade de políticas coordenadas para a aviação.

Imagem: Internet
No curto prazo, a Latam espera que o governo apresente critérios claros de elegibilidade, limites de exposição do Tesouro e formas de garantir que o apoio seja temporário. Somente assim, argumenta a empresa, será possível fortalecer todo o ecossistema sem comprometer a dinâmica competitiva.
Quer acompanhar mais análises sobre o ambiente regulatório no transporte aéreo? Visite a nossa editoria Brasil e continue informado.
Crédito da imagem: Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil















