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Filhos de líderes iranianos vivem no Ocidente sob críticas

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Filhos de líderes iranianos vivem no Ocidente sob críticas

Filhos de líderes iranianos estabelecem-se confortavelmente na Europa, América do Norte e Austrália, contrastando com a repressão que seus pais impõem dentro do Irã, segundo documentos e depoimentos obtidos pela imprensa canadense.

Filhos de líderes iranianos vivem no Ocidente sob críticas

Eshagh Ghalibaf, 38 anos, filho do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, estudou na Universidade de Melbourne, passeou por Paris, Dubai e Zurique e tentou duas vezes obter residência permanente no Canadá. Nos formulários migratórios, declarou não ter cumprido o serviço militar obrigatório, exigido a todos os homens iranianos aos 18 anos.

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O pedido mais recente foi negado em 2024 após revisão de segurança. Mesmo assim, ele recorreu à Justiça canadense alegando perdas financeiras e psicológicas pela demora na resposta. Bancos de dados judiciais revelam pagamentos em restaurantes, aluguel de carros e assinatura do Spotify enquanto ele aguardava a decisão.

O caso de Eshagh não é isolado. Filhos de figuras influentes, como o ex-chanceler Mohammad Javad Zarif e o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, residem em Manhattan e em cidades dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. Durante protesto em Teerã, em janeiro, cidadãos entoaram: “O filho deles está no Canadá, o nosso está na prisão”.

Mais de duas dezenas de ex-autoridades iranianas também teriam se transferido para o Canadá. A Agência de Serviços de Fronteiras do país tenta deportá-las desde 2022; apenas uma remoção foi concluída até o momento. O último nome enviado a audiência foi o de Abbas Omidi, apontado como membro sênior do regime.

Organizações de direitos humanos consideram “alarmante” que familiares do governo desfrutem de liberdades que lhes seriam negadas em casa. Uma petição na plataforma Change.org, com mais de 125 mil assinaturas, pede que a Austrália expulse Eshagh, classificando-o como “exemplo gritante de desigualdade e injustiça”.

Especialistas, como a professora Maral Karimi, da Toronto Metropolitan University, afirmam ser comum encontrar membros da elite iraniana em cidades canadenses. Para ela, a presença desses familiares mina os argumentos do regime de que o Ocidente é inimigo irreconciliável. Reportagem da BBC reforça que autoridades iranianas continuam alertando os Estados Unidos, enquanto seus parentes permanecem fora de risco.

Em meio a pressões públicas, o ex-ministro da Imigração do Canadá, Marc Miller, confirmou em fevereiro de 2024 a rejeição definitiva do pedido de residência de Eshagh Ghalibaf. Ativistas prometem intensificar campanhas para que outros parentes de figuras do regime tenham a mesma sorte.

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Crédito da imagem: AP Photo/Bilal Hussein

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