EUA tomar Groenlândia: como Canadá, UE e OTAN reagiriam?
EUA tomar Groenlândia: como Canadá, UE e OTAN reagiriam? A hipótese de uma anexação forçada da Groenlândia pelos Estados Unidos levantou questões inéditas sobre a resposta de aliados como Canadá, União Europeia e Organização do Tratado do Atlântico Norte.
EUA tomar Groenlândia: como Canadá, UE e OTAN reagiriam?
Em reunião de alto nível nesta semana, representantes groenlandeses, dinamarqueses e norte-americanos não avançaram na disputa sobre a soberania da ilha, mas concordaram em manter o diálogo. A Casa Branca reiterou que o presidente Donald Trump “continua decidido” a adquirir a Groenlândia, segundo a porta-voz Karoline Leavitt.
Para demonstrar compromisso com a segurança do Ártico, Dinamarca e parceiros europeus enviam tropas adicionais à região. Enquanto isso, especialistas apontam que a reação imediata dos aliados poderia priorizar medidas econômicas em vez de ação militar.
O Comitê de Comércio do Parlamento Europeu debate suspender o acordo firmado com Washington no último verão, considerado desequilibrado porque obriga o bloco a reduzir tarifas enquanto os EUA mantêm imposto de 15% sobre diversos produtos europeus, informou a Reuters. A iniciativa mais incisiva seria acionar o chamado “instrumento anticoerção”, mecanismo que permite impor tarifas, restringir investimentos estrangeiros e aplicar outras sanções contra países que usem pressão econômica.
Otto Svendsen, pesquisador do Center for Strategic and International Studies, avalia que multas ou proibições a gigantes de tecnologia como Google, Meta e X seriam um “alvo inteligente”, por atingirem interesses próximos ao presidente norte-americano e produzirem impacto limitado na economia europeia.
No Canadá, o analista Balkan Devlen, do Macdonald-Laurier Institute, acredita que uma ofensiva contra a Groenlândia obrigaria Ottawa a reforçar drasticamente suas defesas no Ártico, possivelmente até cogitando desvincular-se do NORAD para criar um comando ártico exclusivo. Isso exigiria elevar gastos militares a 7% ou 8% do PIB, cenário visto como altamente oneroso.
A eventual operação também colocaria a OTAN em xeque. Não há dispositivo no tratado fundador que trate de anexação entre membros. “A aliança foi concebida para amarrar os EUA à segurança europeia; não existe previsão de agir contra Washington”, resume David Perry, do Canadian Global Affairs Institute.

Imagem: Sean Boynt Global Ne
Como retaliação política, países europeus e a própria Dinamarca poderiam restringir ou fechar bases americanas em seu território, gesto que sinalizaria descontentamento sem recorrer a confronto direto. Especialistas alertam, porém, que qualquer resposta deve ser proporcional: sanções exageradas poderiam comprometer o leque de pressões futuras.
Embora considerada improvável, a tomada dos EUA da Groenlândia já mobiliza planos de contingência. Governos europeus prometem uma reação “robusta”, mas calibrada para evitar danos colaterais que fragilizem ainda mais o bloco ocidental.
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Crédito da imagem: Globalnews.ca















