EUA cancelam vistos de líderes palestinos antes da ONU
EUA cancelam vistos de líderes palestinos antes da ONU em decisão anunciada pelo Departamento de Estado, que revogou e negou autorizações de entrada a integrantes da Autoridade Palestina (AP) e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) a poucas semanas da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
EUA cancelam vistos de líderes palestinos antes da ONU
Em comunicado oficial, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que a medida responde aos esforços palestinos para obter reconhecimento pleno como Estado na ONU e para solicitar investigações contra Israel no Tribunal Penal Internacional (TPI) e na Corte Internacional de Justiça (CIJ). Segundo Washington, essas iniciativas “contribuíram materialmente para a recusa do Hamas em libertar reféns e para o colapso das negociações de cessar-fogo em Gaza”.
O texto não detalha quais autoridades tiveram os vistos cancelados nem se a decisão atinge o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que planeja viajar a Nova Iorque e discursar na sessão de alto nível, como faz anualmente. Representantes designados para a missão palestina na ONU, chefiada pelo embaixador Riyad Mansour, receberão isenções para continuar trabalhando na sede da organização.
Mansour informou que o corpo diplomático “analisa o alcance exato da decisão” e que responderá assim que houver clareza sobre o impacto na delegação. Ele reiterou que Abbas pretende participar de uma reunião sobre a solução de dois Estados, marcada para 22 de setembro e copresidida por França e Arábia Saudita. O presidente norte-americano Donald Trump discursará na Assembleia em 23 de setembro, segundo a Casa Branca.
Nas últimas semanas, Canadá, Reino Unido, Austrália e França anunciaram a intenção de reconhecer formalmente o Estado palestino durante o encontro em Nova Iorque. Esses países condicionam a medida a reformas internas e à realização de novas eleições na AP, que governa partes da Cisjordânia ocupada e se apresenta como alternativa política ao Hamas em Gaza.
Imagem: Sean Boynt Global Ne
A administração Trump tem dado amplo apoio à ofensiva militar israelense em Gaza e evitado condenar a expansão de assentamentos na Cisjordânia, considerada por aliados como obstáculo ao processo de paz. Na quarta-feira, Rubio recebeu o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, em Washington, reforçando a “cooperação estreita” entre os dois países. Saar agradeceu pelo que chamou de “responsabilização” da AP e da OLP por “premiar o terrorismo”.
De acordo com o acordo de 1947 que sediou a ONU em Nova Iorque, os EUA devem conceder ingresso diplomático, mas o governo pode barrar vistos por razões de segurança ou política externa. Para saber mais sobre a dinâmica das relações internacionais e seus impactos regionais, visite nossa editoria Brasil e acompanhe as atualizações.
Crédito da imagem: Global News















