Estreito de Ormuz vira ‘resgate’ geopolítico do Irã
Estreito de Ormuz vira ‘resgate’ geopolítico do Irã ao permitir a passagem seletiva de petroleiros e cargueiros, estratégia que pressiona o preço do petróleo e amplia a influência de Teerã no conflito no Oriente Médio.
Bloqueio parcial afeta 20% do petróleo mundial
Cerca de 20% do petróleo bruto global transita habitualmente pelo Estreito de Ormuz. Desde que o Irã passou a decidir quais embarcações podem atravessar o gargalo marítimo, a cotação do barril disparou, tendência que economistas preveem acelerar a inflação em diversos países, inclusive no Canadá.
Passagem seletiva e “resgate” diplomático
Teerã tem liberado navios iranianos, além de cargueiros da Índia e, mais recentemente, da China, segundo declarou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, à emissora CNBC. Especialistas, como o professor Aurel Braun, da Universidade de Toronto, classificam a prática como “resgate geopolítico”: se nações aceitarem pagar, política ou economicamente, pela travessia, serão constantemente forçadas a repetir o acordo.
Arma de guerra assimétrica
Sem poder militar convencional para enfrentar Estados Unidos ou Israel, o Irã recorre à guerra assimétrica. “Eles usam mísseis, drones e seus militantes aliados, mas ameaçar fechar o Estreito de Ormuz é sua principal carta”, explica Joseph Varner, do Macdonald-Laurier Institute. O bloqueio encarece não só combustíveis; petróleo é matéria-prima de plásticos, solventes, borracha e até têxteis, impactando cadeias produtivas inteiras.
Negociações de risco com Índia, China e Paquistão
Fontes ouvidas pela agência Reuters revelam que o Irã tenta trocar a liberação de três petroleiros apreendidos pela Índia por passagem segura de navios indianos. Paquistão também conseguiu liberar ao menos um cargueiro, enquanto Pequim busca manter o fluxo para suprir sua alta dependência do petróleo iraniano.

Imagem: Internet
Ganhos para outros produtores
Embora o aperto no Estreito de Ormuz cause danos econômicos globais, países exportadores que não dependem da rota, como o Canadá, podem lucrar com a elevação dos preços internacionais, observa Kevin Budning, do Conference of Defence Associations Institute.
O controle estratégico do Estreito de Ormuz reforça o poder de barganha do Irã, mas expõe governos que negociam “passagens especiais” a riscos diplomáticos e comerciais. Para acompanhar análises sobre como essa tensão repercute no mercado mundial de energia, visite nossa editoria de Brasil e fique informado.
Crédito da imagem: Globalnews.ca
















