Home / NOTÍCIAS / GERAIS / Dissuasão nuclear europeia em debate na Conferência de Munique

Dissuasão nuclear europeia em debate na Conferência de Munique

Advertisements
Advertisements

Dissuasão nuclear europeia em debate na Conferência de Munique

Dissuasão nuclear europeia em debate na Conferência de Munique marca o centro das discussões entre Alemanha e França, que iniciaram conversas confidenciais sobre a criação de um escudo atômico próprio, enquanto clamam aos Estados Unidos por uma restauração da confiança transatlântica.

Dissuasão nuclear europeia em debate na Conferência de Munique

O chanceler alemão Friedrich Merz revelou, na abertura da Conferência de Segurança de Munique, que Berlim já negocia com o presidente francês Emmanuel Macron um arranjo de dissuasão nuclear europeia. Segundo Merz, a iniciativa ficará “estritamente inserida” no sistema de compartilhamento nuclear da OTAN, evitando zonas de segurança desiguais no continente.

Advertisements
Advertisements

Na mesma tribuna, Macron defendeu que a Europa se torne “uma potência geopolítica” e adiantou que fará, ainda este mês, um pronunciamento específico sobre o tema nuclear. O líder francês afirmou que o debate inclui tanto a ampliação do alcance convencional de ataques de precisão – capacidade que a Rússia já possui – quanto o papel do arsenal francês, o único da União Europeia após o Brexit.

Merz advertiu que a ordem internacional construída no pós-Guerra Fria já não existe “naquela forma”. Falando em inglês no trecho final, declarou que nem mesmo os Estados Unidos conseguirão agir sozinhos num cenário de grandes potências em disputa, conclamando Washington a “reparar e reviver a confiança” com os aliados.

Os discursos refletem o esforço europeu para ganhar autonomia estratégica sem romper com a Aliança Atlântica. Desde a invasão russa da Ucrânia, países do bloco elevam gastos militares enquanto enfrentam rupturas no comércio global e ceticismo popular sobre o compromisso norte-americano. Pesquisa YouGov divulgada durante o evento aponta a menor favorabilidade aos EUA nas seis maiores economias europeias desde 2016.

Para analistas ouvidos pela agência Reuters, a proposta franco-alemã sinaliza mudança de paradigma: a proteção nuclear, antes delegada a Washington, passa a ser vista como responsabilidade continental direta.

Apesar de impedida por acordos internacionais de desenvolver armas atômicas, a Alemanha aposta no guarda-chuva francês – quarto maior estoque nuclear do mundo – para reforçar a defesa comum. Paralelamente, autoridades canadenses e norte-americanas presentes em Munique defenderam maior cooperação industrial e militar no Ocidente para conter China e Rússia.

No encerramento dos debates, Merz rejeitou tarifas protecionistas e a “guerra cultural” que, segundo ele, distancia Washington de seus aliados: “Nossa vantagem competitiva é estarmos juntos na OTAN; vamos reconstruir essa confiança”.

Saiba mais sobre as implicações estratégicas desse movimento europeu acessando nossa editoria de análises internacionais e continue atualizado.

Crédito da imagem: Globalnews.ca

Advertisements
Advertisements