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Em meio ao avanço dos casos no Brasil, especialista esclarece mitos, riscos hospitalares e complicações como a lesão pulmonar aguda.
Minas Gerais – Setembro de 2026. Às vésperas do Dia Mundial da Sepse, comemorado em 13 de setembro, o país reforça a necessidade de ampliar a prevenção, o reconhecimento precoce e o tratamento da doença. Conhecida popularmente como “infecção generalizada”, a sepse continua sendo uma das maiores ameaças à vida nos hospitais do país.
De acordo com um estudo publicado pela Editora Atena com base em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS/DataSUS), as internações pela complicação registraram um crescimento contínuo na última década, saltando de 110.064 casos em 2015 para um pico de 185.952 em 2024, apresentando uma leve retração apenas em 2025.
A médica infectologista e professora da Afya Montes Claros, Dra Izabela Bretas, explica que a sepse é uma condição clínica caracterizada por uma resposta inflamatória exacerbada do nosso organismo, desencadeada por uma infecção.
“Bactérias e vírus são os principais agentes etiológicos responsáveis, embora, eventualmente, a sepse também possa ocorrer por fungos ou parasitas. A população com maior risco de desenvolver sepse é aquela que apresenta comorbidades, como doenças crônicas (DM2, HAS e dislipidemias), imunossupressão, tratamento de câncer e condição pós-transplante, entre outras. Também estão entre os grupos de maior risco os indivíduos internados em hospitais ou instituições de longa permanência, crianças e neonatos, além dos idosos, devido à imunossenescência, ou seja, ao envelhecimento do sistema imunológico”.
No Brasil a taxa de mortalidade apresentou patamares elevados entre 44,24% e 46,41% ao longo de todo o período analisado, número que supera os índices observados em nações desenvolvidas e confirma que a letalidade no país pode ultrapassar os 50% dependendo do perfil do atendimento público ou privado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 48,9 milhões de casos e 11 milhões de mortes relacionadas à sepse por ano são confirmadas, o equivalente a cerca de 20% de todas as mortes no mundo.
A médica comenta que é importante diferenciar situações, pois nem toda infecção deve ser chamada de sepse. Por isso, a avaliação médica adequada e cuidadosa é fundamental para identificar precocemente possíveis disfunções orgânicas e agir para a resolução das duas condições, tanto da infecção quanto da sepse.
“As infecções podem acometer diferentes órgãos, com manifestações específicas. Uma infecção urinária baixa, ou cistite, por exemplo, costuma causar dor e ardência ao urinar, dor suprapúbica e alteração no aspecto da urina. Ter uma infecção do trato urinário não significa ter sepse. A sepse ocorre quando a infecção provoca disfunção orgânica, como alteração da função dos rins. Por isso, a avaliação médica é fundamental para identificar precocemente sinais de sepse, como hipotensão arterial, confusão mental ou esforço respiratório”, complementa.
Lesão pulmonar causada por sepse
Entre os desdobramentos mais severos da sepse está o comprometimento do sistema respiratório, uma das principais causas de falência múltipla de órgãos. Uma revisão publicada em 2023 na revista Frontiers in Medicine aponta que entre 25% e 50% dos pacientes com sepse podem apresentar lesão pulmonar aguda, com mortalidade estimada em cerca de 40%.
Dra. Izabela Bretas esclarece que as infecções hospitalares tendem a evoluir mais frequentemente para sepse, pois acometem pacientes já fragilizados.
“A pneumonia hospitalar é um exemplo desse cenário desafiador, que reúne um ambiente colonizado por bactérias e outros microrganismos resistentes, um hospedeiro mais vulnerável e a circulação de profissionais, pacientes, acompanhantes, visitantes e prestadores de serviço, que podem carregar e transmitir esses agentes. Qualquer infecção pode evoluir para sepse, seja no trato urinário, nas vias respiratórias, no sistema nervoso central, na pele ou em partes moles. Essa evolução depende de fatores como o perfil do indivíduo, o agente causador e a precocidade do tratamento e do controle das complicações”, conclui a docente da Afya.
















