Destroços de guerra afundados viram recifes no Mar Báltico
Destroços de guerra afundados viram recifes no Mar Báltico e concentram até cinco vezes mais organismos marinhos que o fundo arenoso, conclui estudo publicado nesta quinta-feira (25) na revista Communications Earth & Environment.
Destroços de guerra afundados viram recifes no Mar Báltico
Pesquisadores liderados por Andrey Vedenin usaram um veículo submersível remoto para examinar um novo depósito de munições da Segunda Guerra Mundial na Baía de Lübeck, Alemanha. As ogivas, identificadas como bombas voadoras V-1, foram descartadas antes da Convenção de Londres de 1972, quando ainda era prática comum jogar explosivos em alto-mar.
Os cientistas registraram cerca de 43 mil organismos por metro quadrado vivendo nas cápsulas metálicas, contra 8,2 mil nos sedimentos vizinhos. Algas, moluscos e pequenos crustáceos aproveitam a superfície rígida oferecida pelas bombas para se fixar, transformando um potencial risco químico em recife artificial.
A análise da água revelou traços de TNT e RDX entre 30 nanogramas e 2,7 miligramas por litro, concentrações capazes de causar toxicidade a diversas espécies. Mesmo assim, a maior parte dos organismos coloniza apenas as camadas externas das ogivas, evitando o contato direto com os explosivos.
De acordo com o artigo – disponível no site da revista Communications Earth & Environment – substituir as munições por estruturas artificiais inertes poderia ampliar os benefícios ecológicos sem expor a fauna a compostos nocivos.
Herança bélica também cria refúgio nos EUA
No mesmo dia, a Scientific Data divulgou um mapa de alta resolução da chamada Frota Fantasma em Mallows Bay, rio Potomac (EUA). São 147 navios da Primeira Guerra Mundial afundados nos anos 1920 que hoje abrigam águias-pesqueiras, esturjões e inúmeras outras espécies, reforçando que destroços de guerra funcionam como “laboratórios naturais” para pesquisadores ambientais e arqueológicos.
Imagem: Centro Helmholtz de Pesquisa Oceânica GEOMAR
Implicações para políticas de limpeza
Os dois estudos mostram que, embora ofereçam abrigo, materiais bélicos descartados liberam substâncias tóxicas de longa duração. Os resultados fornecem dados cruciais para programas de remoção ou encapsulamento seguro desses resíduos, que continuam a influenciar ecossistemas quase um século após o fim dos conflitos.
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Crédito da imagem: Centro Helmholtz de Pesquisa Oceânica GEOMAR















