Dessalinização no Golfo vira alvo na guerra do Irã
Dessalinização no Golfo vira alvo na guerra do Irã à medida que instalações de tratamento de água, essenciais para o abastecimento de países como Bahrain, sofrem danos em meio a ataques atribuídos ao confronto entre Teerã e Estados Unidos.
Dessalinização no Golfo vira alvo na guerra do Irã
A acusação mais recente partiu do governo do Bahrain, que em 8 de março declarou que drones iranianos atingiram uma de suas plantas de dessalinização, colocando em risco o fornecimento à população local. Antes disso, o Irã denunciara que um bombardeio norte-americano danificou uma instalação semelhante, afetando o abastecimento de 30 vilarejos, segundo o chanceler Abbas Araghchi.
Especialistas veem a escalada como uma ruptura de paradigmas. Mohammed Mahmoud, chefe de políticas de água e clima no Instituto da Universidade das Nações Unidas para Água, Meio Ambiente e Saúde, classificou o ataque a infraestrutura civil como “uma linha vermelha dentro de várias linhas vermelhas”. Em entrevista, ele ressaltou que atingir instalações hídricas impacta diretamente a sobrevivência de civis.
Quase todos os países do Golfo dependem de dessalinização por osmose reversa para suprir água potável. Jay Warber, professor da Universidade de Toronto, explica que enormes membranas pressionadas a dezenas de atmosferas filtram o sal e impurezas. Esse processo exige elevado consumo de energia; por isso, danos a redes elétricas também podem paralisar a produção de água.
Muitos complexos são cogeração: produzem simultaneamente água e eletricidade. “Qualquer interrupção pode gerar efeitos em cascata na agricultura, na indústria, na saúde e no saneamento”, alerta Mahmoud. As consequências vão além da região: o estreitamento do Estreito de Ormuz, somado a ataques a infraestrutura energética, elevou preços globais de petróleo e intensificou pressões inflacionárias.
Além das ameaças físicas, cresce o risco cibernético. Em 9 de março, o Centro Canadense de Segurança Cibernética emitiu alerta sobre possíveis ofensivas iranianas contra sistemas de água e energia em todo o mundo, reforçando preocupação semelhante já apontada em boletim de 2025. A automação desses parques industriais facilita ações remotas que poderiam desligar usinas sem disparar um míssil.

Imagem: Internet
Para a ONU, água tratada é um direito humano básico. Em nota publicada no site da organização United Nations University, pesquisadores defendem que países evitem transformar recursos hídricos em armas de guerra, sob risco de catástrofe humanitária.
No cenário atual, impedir novos ataques a plantas de dessalinização tornou-se vital para a segurança hídrica do Oriente Médio. Continue acompanhando a cobertura completa de conflitos e seus reflexos no nosso canal BRASIL.
Crédito da imagem: Global News















