Superlotação, precariedade e conflitos internos agravam situação em unidades como o presídio de Ribeirão das Neves.
O número de detentos mortos em presídios mineiros chegou a 61 em 2025, segundo dados apresentados em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (29/07). O foco da crise está no complexo penitenciário de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde se concentra a maior parte dos óbitos.
Segundo denúncias de defensores públicos e organizações de direitos humanos, as mortes têm sido causadas por brigas entre facções, negligência médica, ausência de vigilância adequada e superlotação. Em alguns casos, detentos foram encontrados mortos após dias sem atendimento ou intervenção de agentes penitenciários.
A situação foi considerada “gravíssima” por parlamentares da Comissão de Direitos Humanos da ALMG. “A estrutura das unidades está colapsada. Temos celas que abrigam o triplo da capacidade e presídios funcionando com falta de luz, ventilação e água”, denunciou o deputado estadual.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que está elaborando um plano emergencial para reformas e contratando novos agentes, mas admitiu dificuldades no enfrentamento da crise. Entidades como a OAB e o Conselho Nacional de Justiça cobram intervenção federal caso as mortes continuem.
A sociedade civil e familiares dos detentos também se mobilizaram, organizando protestos e abaixo-assinados. O Ministério Público está investigando omissões e responsabilizações dentro da cadeia administrativa do sistema prisional mineiro.
















