Crise dos farmers nos EUA abre oportunidade à carne do Brasil
Crise dos farmers nos EUA já afeta os custos de produção, elevando incertezas no campo norte-americano e criando brechas para a pecuária brasileira, segundo avaliação do consultor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros.
Crise dos farmers nos EUA abre oportunidade à carne do Brasil
Durante o Minerva Foods Day, realizado nesta terça-feira (30), Barros destacou que o tarifaço de Donald Trump sobre insumos importados pressiona diretamente os agricultores dos Estados Unidos. Mais de 70% dos defensivos agrícolas usados no país vêm de China e Índia, enquanto cerca de 90% do potássio é comprado do Canadá. A combinação de tarifas e dólar forte encareceu significativamente a produção.
Barros citou um estudo da Universidade de North Dakota que prevê alta de 20% no preço das peças de máquinas agrícolas. Embora muitos produtores tenham antecipado compras e garantido a safra atual, o cenário para 2026 segue indefinido.
Essa cautela levou empresas norte-americanas a reduzir pedidos de agrotóxicos, provocando excedente de oferta no Brasil e queda de preços internos. “Os EUA podem caminhar para maior autossuficiência, transformando grãos em biocombustíveis, o que coloca em dúvida sua confiabilidade como fornecedor global”, afirmou o consultor.
Ao mesmo tempo, o Brasil avança. O país possui entre 190 e 200 milhões de cabeças de gado, contra 86 milhões nos EUA. Se igualar a produtividade norte-americana, o rebanho brasileiro poderia abater de 68 a 75 milhões de animais por ano, quase o dobro da produção atual. Hoje, a carcaça média dos EUA atinge 400 kg, enquanto a brasileira fica na casa dos 300 kg.
A oferta crescente de DDG, subproduto do etanol de milho, deve acelerar projetos de confinamento ao lado das usinas, reduzindo custos logísticos e impulsionando ganhos de peso. Para Barros, esse movimento consolida a América Latina, especialmente o Brasil, como polo estratégico para companhias como a Minerva Foods.
Imagem: Pasquale o
Em resumo, a crise dos farmers nos EUA reforça a competitividade da carne bovina brasileira e amplia as chances de conquista de mercados como Japão e México, enquanto a agropecuária norte-americana enfrenta uma encruzilhada quanto ao futuro de seus custos e produtividade.
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Crédito da imagem: iStock.com/Clinton Austin















