Crise do metanol: impacto na Ambev e no consumo de cerveja
Crise do metanol: impacto na Ambev e no consumo de cerveja movimenta o mercado após casos de intoxicação que já resultaram em seis mortes no Brasil, levantando dúvidas sobre a segurança dos destilados e o possível redirecionamento dos consumidores para a cerveja.
Crise do metanol: impacto na Ambev e no consumo de cerveja
A sequência de notificações de envenenamento por metanol desde 19 de setembro pressiona o setor de bebidas. Segundo a consultoria Quantum, a Ambev (ABEV3) perdeu R$ 9,6 bilhões em valor de mercado nesse intervalo, reflexo da cautela dos investidores.
Relatório do JP Morgan lembra que, além da crise sanitária, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou queda de 11,8% na produção de bebidas alcoólicas em agosto, reforçando o sentimento negativo já alimentado por clima desfavorável e menor confiança do consumidor.
Destilados em xeque, cerveja em alta?
Até o momento, os casos de contaminação envolvem apenas destilados como gin e uísque. A menor presença de metanol em bebidas fermentadas, entre elas a cerveja, pode levar parte do público a migrar de categoria, avaliam analistas do setor. A AGR Consultores prevê retração imediata nas vendas de bares focados em destilados, com espaço potencial para cervejas e vinhos.
A Organização Mundial da Saúde detalha que o metanol surge naturalmente na fermentação, mas costuma ser eliminado nas primeiras frações da destilação; falhas nesse processo elevam o risco de intoxicação. Confira a explicação técnica da OMS.
O que pesa no radar dos investidores
Na semana, a XP Investimentos rebaixou ABEV3 para “venda” e cortou o preço-alvo para R$ 10,90, citando concorrência acirrada, mudanças de hábito e até o uso crescente de medicamentos para emagrecimento. Já a Heineken projeta queda anual de 7,3% nos volumes das Américas.
Imagem: Vitor Azevedo
Mesmo assim, analistas apontam que marcas líderes, como Ambev e Heineken, contam com rígidos protocolos de qualidade, o que pode reforçar a confiança do consumidor em meio à crise. Pequenos produtores, por outro lado, tendem a sofrer mais com a perda de credibilidade.
No curto prazo, o JP Morgan considera mais provável uma redução generalizada no consumo de álcool do que uma simples troca de destilados por cerveja. O quarto trimestre, tradicionalmente forte por calor e festas, deverá indicar qual tendência prevalecerá.
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Crédito da imagem: Money Times















