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Crescer com lucro: por que margem é o verdadeiro indicador de sucesso no varejo

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*Henrique Carbonell, CEO e cofundador da F360

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No varejo, ainda é comum associar sucesso ao volume de vendas. No entanto, crescer sem rentabilidade é um risco silencioso que compromete a sustentabilidade do negócio. Dados recentes do IBGE mostram que, embora o comércio lidere a abertura de empresas no Brasil, também concentra altos índices de encerramento precoce. E, na maioria dos casos, o problema não está na falta de vendas, mas na ausência de gestão estruturada.

A margem não é fruto do acaso, mas consequência direta de disciplina financeira, eficiência operacional e decisões orientadas por dados. Em redes de lojas e franquias, pequenas variações percentuais já impactam significativamente o resultado final. Sem clareza sobre custos, despesas, taxas e fluxo de caixa, o crescimento pode criar uma falsa sensação de prosperidade, enquanto a operação perde solidez.

Um erro recorrente é confundir faturamento com lucro. Aumentar as vendas não garante, necessariamente, melhor desempenho financeiro. Entender a diferença entre margem bruta e margem líquida é essencial: a primeira reflete o desempenho dos produtos, enquanto a segunda revela a real saúde do negócio após todos os custos envolvidos. Sem esse acompanhamento contínuo, empresas podem expandir prejuízos sem perceber.

Esse desafio se intensifica em redes e franquias. A falta de padronização nos controles financeiros entre unidades dificulta análises comparativas e decisões estratégicas. Sem indicadores consistentes e uma visão consolidada, torna-se mais difícil identificar gargalos e promover ajustes eficientes. Crescimento estruturado exige DRE por unidade e uma leitura integrada da operação.

Outro ponto sensível está nos meios de pagamento

Com grande parte das transações passando por cartões e intermediadores, a ausência de conciliação adequada e monitoramento de taxas pode gerar perdas graduais, porém relevantes ao longo do tempo. São valores que passam despercebidos no dia a dia, mas que, acumulados, comprometem a margem.

Além disso, compreender o custo total da operação, incluindo despesas como aluguel, folha de pagamento, logística e marketing, é fundamental para decisões mais assertivas. Muitas vezes, o problema não está no preço praticado, mas em ineficiências internas que só se tornam visíveis com dados organizados e confiáveis.

Para crescer de forma previsível, é necessário profissionalizar a gestão financeira. Isso envolve abandonar controles fragmentados, reduzir a dependência de planilhas e adotar sistemas que ofereçam visibilidade em tempo real. No cenário atual, a competitividade vai além da experiência do cliente e passa pela capacidade de gerir bem os próprios números.

Em um ambiente onde o faturamento ainda é frequentemente celebrado como principal métrica, a mudança de mentalidade é clara: margem é estratégia. Negócios que dominam sua estrutura financeira conseguem expandir com segurança, enfrentar oscilações do mercado e transformar crescimento em resultados consistentes no longo prazo.

*Henrique Carbonell, CEO e cofundador da F360. Lidera a visão e estratégia da empresa, focando no crescimento sustentável e na transformação da gestão financeira no Brasil. Formado em Administração pela FAAP, Henrique criou a F360 após identificar a falta de ferramentas integradas para previsibilidade de caixa, conciliação de cartões e visão multicanal, desenvolvendo uma solução que une eficiência operacional e suporte estratégico.

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